beijos para todo mundo que me ajudou neste ano horrível (ja é o terceiro seguido)....
Que os quebrantos espedacem nas areias incertas do futuro.
E lembre-se !!! Voce esta um ano mais próximo do seu ultimo ano!!
Wednesday, December 27, 2006
Wednesday, July 26, 2006
texto maluco #1
Ato 1 - Sobe a cortina. No palco, apenas dois sapatos de boneca pretos e um laço de fita grande e branco como as nuvens. Entra pela coxia esquerda um homem vestido de coelho. Ensangüentado e pulando com raiva.. Ele tem as presas sujas de sangue, e esta inteiro borrado de lama. Para a cada salto olha para coxia de onde veio e solta uma gargalhada insana. Depois de um tempo para e encara a audiência.
COELHO (Olha para platéia com atenção) - Puta merda !!! ... comi a Alice!!!!
Fecha o pano.
COELHO (Olha para platéia com atenção) - Puta merda !!! ... comi a Alice!!!!
Fecha o pano.
batongaville
Quase atropelei um monte de ciclistas que passavam na Av. Brasil com uma porra de uma bandeira do Delfin Neto presa na garupa.
Isso ai molequada, 15 reais para subir e descer a Av. Brasil numa bicileta com uma foto do Delfin Neto com as mangas da camisa arriada, e um sorriso forçado. Tipo, "Ei, sr. Jabba the Hut, essa é para mostrar para o Imperador.. vamos la... você consegue... isso.. ta bonito!"
E dai vão ter as meninas que põe as bandeiras no colo e ficam agitando de um lado para o outro. Sempre conversando , de boné, e parecendo entediadas como se não houvesse fim naquele suplício. Meninas máquina, parecem. Se a Ford cuidasse das eleições, o pessoal ja tinha inventado o "Bandeira Agitator 2.0" mecânico e automatizado. 24 horas por dia, sem cansar nem suar. Quiosques por toda a cidade.
Isso ai molequada, 15 reais para subir e descer a Av. Brasil numa bicileta com uma foto do Delfin Neto com as mangas da camisa arriada, e um sorriso forçado. Tipo, "Ei, sr. Jabba the Hut, essa é para mostrar para o Imperador.. vamos la... você consegue... isso.. ta bonito!"
E dai vão ter as meninas que põe as bandeiras no colo e ficam agitando de um lado para o outro. Sempre conversando , de boné, e parecendo entediadas como se não houvesse fim naquele suplício. Meninas máquina, parecem. Se a Ford cuidasse das eleições, o pessoal ja tinha inventado o "Bandeira Agitator 2.0" mecânico e automatizado. 24 horas por dia, sem cansar nem suar. Quiosques por toda a cidade.
Wednesday, July 19, 2006
A Arte de Dormir com Cadáveres
A vida é dura para um necrófilo.
Só de suborno vai 5oo paus por mês.
Sem contar o cheiro que fica nas roupas.. só Vanish faz passar.
Esse post é um oferecimento de Vanish Poder O2
Só de suborno vai 5oo paus por mês.
Sem contar o cheiro que fica nas roupas.. só Vanish faz passar.
Esse post é um oferecimento de Vanish Poder O2
emprego
Preciso de um emprego. Perto de casa, que pague mais de mil reias, que eu saia antes do sol se pôr e que tenha café de bule, não aquelas merdas de máquina de expresso.
fé
Eu olhei numa xícara de café vazia e vi a face de Jesus na borra do café.
Eu olhei uma folha de salsinha em cima da pia e podia jurar que Jânio Quadros olhava para mim.
Eu espremi uma espinha que bateu no espelho e ficou com o jeitão do Bozo.
Ontem a noite, eu vi o fantasma do Padre Anchieta se afogando no meu miojo.
Acho que preciso de óculos.
Eu olhei uma folha de salsinha em cima da pia e podia jurar que Jânio Quadros olhava para mim.
Eu espremi uma espinha que bateu no espelho e ficou com o jeitão do Bozo.
Ontem a noite, eu vi o fantasma do Padre Anchieta se afogando no meu miojo.
Acho que preciso de óculos.
para minha cachorra
Ela espreita contra o vento
E aguarda o momento
Em que sua presa, desapercebida,
Salta do armário da cozinha
E cai no seu prato de comida
E aguarda o momento
Em que sua presa, desapercebida,
Salta do armário da cozinha
E cai no seu prato de comida
sociologia para brutos
No Brasil a guerra se faz necessária.
Desagradável mas inevitável.
Ainda tem que morrer gente branca para caralho para esse país se levar a sério.
Desagradável mas inevitável.
Ainda tem que morrer gente branca para caralho para esse país se levar a sério.
Memory Overflow
WITH Mymemory{
SELECT * WHERE "qualidade" == bad;
SELECT * WHERE "utilizado" == null;
SELECT * WHERE "origem" == midia;
DELETE SELECTED;
}
SELECT * WHERE "qualidade" == bad;
SELECT * WHERE "utilizado" == null;
SELECT * WHERE "origem" == midia;
DELETE SELECTED;
}
bau
Dentro do bau tem uma caixa, e dentro da caixa um envelope com uma carta escrita em código. Quebrando o código e lendo a carta, você consegue descobrir o esconderijo secreto da chave para o baú.
fogo
O mundo acaba em fogo.
Parece que é meio padrão esta história, então quando o negócio aconteceu, até que achei meio óbvio.
Eu só não achei que ia demorar tanto.
Deus é um puto sádico porque ele não sofre influência do tempo.
Ser fervido pelo sol, tudo bem. Mas demorar cerca de 3 anos até morrer o último humano não precisava. Passou da linha.
Cheguei no céu e disse isso para ele pessoalmente. Ele me olhou e deu uma risada bem alta.
Mano, se eu não tivesse acorrentado eu ia quebrar aqueles dentes brancos um por um.
Parece que é meio padrão esta história, então quando o negócio aconteceu, até que achei meio óbvio.
Eu só não achei que ia demorar tanto.
Deus é um puto sádico porque ele não sofre influência do tempo.
Ser fervido pelo sol, tudo bem. Mas demorar cerca de 3 anos até morrer o último humano não precisava. Passou da linha.
Cheguei no céu e disse isso para ele pessoalmente. Ele me olhou e deu uma risada bem alta.
Mano, se eu não tivesse acorrentado eu ia quebrar aqueles dentes brancos um por um.
Thursday, June 08, 2006
Magia
Teve uma vez que estava tão concentrado em tentar provocar um enfarto no meu professor de história da arte que eu consegui ler o pensamento dele. Foi bizarro, porque pensamentos não são historinhas lineares, filtradas por linguagem e blablas,,, são coisas cruas e duras e perigosas, e por um momento eu esqueci de mim, esqueci da minha consciência, e tava la dentro, na cabeça do Seu Gilberto.
Foi um instante, e nesse intante ele se preocupava com o futuro do seu pai idoso, percebia que esses alunos eram burros e apáticos, despia mentalmente uma garota da segunda fila, e sonhava em vender a casa, matar o filho e virar motoqueiro.
Quando eu sai do transe, e me encontrei suando no meio da sala, olhei bem fundo para os olhos dele e o compreendi inteiramente. Sem brincadeira, quando eu voltei, eu lembrava das sensações todas, e sendo eu outra pessoa que não o Sr. Gilberto, eu pude compreender uma outra pessoa totalmente...
O problema foi o enfarto depois... dai ficou chato...
Foi um instante, e nesse intante ele se preocupava com o futuro do seu pai idoso, percebia que esses alunos eram burros e apáticos, despia mentalmente uma garota da segunda fila, e sonhava em vender a casa, matar o filho e virar motoqueiro.
Quando eu sai do transe, e me encontrei suando no meio da sala, olhei bem fundo para os olhos dele e o compreendi inteiramente. Sem brincadeira, quando eu voltei, eu lembrava das sensações todas, e sendo eu outra pessoa que não o Sr. Gilberto, eu pude compreender uma outra pessoa totalmente...
O problema foi o enfarto depois... dai ficou chato...
titanic
Tem uma mulher misteriosa que mora no sétimo andar no apartamento da frente. Todo dia, com uma pontualidade britânica, ela se veste como se fosse a ultima viagem do Expresso Oriente, toda paramentada de jóias e plumas, e com o garbo e o máximo de porte possível para uma senhora de 70 anos que tenta se equilibrar com um salto agulinha, e engatinha debaixo da cama.
Ela desaperece inteira embaixo da sombra do colchão e até o outro dia de manhã é só isso que se vê no quarto. O tempo que eu ja perdi observando aquele quarto vazio vai além do que eu gostaria de lembrar.
Ela reaparece logo que o sol começa a nascer, aparentemente bêbada, com o sapato na mão e o batom borrado. E uma vez, quando estava inverno e realmente quieto, coisa rara em São Paulo, eu acho que escutei uma música vindo lá de dentro.
Ela desaperece inteira embaixo da sombra do colchão e até o outro dia de manhã é só isso que se vê no quarto. O tempo que eu ja perdi observando aquele quarto vazio vai além do que eu gostaria de lembrar.
Ela reaparece logo que o sol começa a nascer, aparentemente bêbada, com o sapato na mão e o batom borrado. E uma vez, quando estava inverno e realmente quieto, coisa rara em São Paulo, eu acho que escutei uma música vindo lá de dentro.
Monday, June 05, 2006
Sobre a espada
A Espada continuava encrustada na pedra, e o reino continuava sem rei. Milhares ja tinham tentado, ao ponto que os arredores da pedra se tornavam cada vez mais parecidos com uma cidade do que o descampado místico onde os druidas aguardavam a consumação da profecia.
Todo dia, de cavaleiros de reinos distantes à trovadores bêbados, uma fila se formava e tentava arrancar a droga da espada. Nem era uma espada tão bonita assim, mas a Inglaterra parecia consumida pela espera de seu Arthur. Isso ja durava mais de 50 anos.
Foi quando chegou um mercador Vienense na vila dos druidas. Ele era acompanhado por um mouro que trazia consigo um pó preto que cheirava enxofre, e disse que iria arrancar a espada dali. Ele demonstrou seu potencial escolhendo uma pedra similar mais distante, compactando esse pó em porções estratégicas e acendendo trilhas de corda com querosene de forma habilidosa e simultânea. Sem dúvida e de forma instantânea a pedra voou pelos ares e caiu em pedaços pequenos e distantes.
Os druidas se engasgaram e as crianças assustadas dispararm para longe dali, se esconder nas barras das saias de mães que olhavam boquiabaertas e pensavam "Agora vai".
Ficou marcado para a semana seguinte a tentativa do mercador italiano de se tornar o rei da Inglaterra. A expectativa se espalhou de forma rápida e certeira, e o boato ja estava bem grande no começo da semana seguinte. Nem a fuga do assistente mouro, numa madrugada, pareceu desanimar a turba. Ele tinha deixado bastante pó preto atrás de si.
No grande dia, o ducado estava em massa. Místicos e curiosos se aglomerevam atrás da corda de proteção, enquanto o mercador organizava sua equipe de cinco homens. O processo, perto do final, ficou silenciosos e laborioso, e demorou uma tarde inteira. O próprio duqeue estava presente. Nao arredou o pé da primeira fila.
Ao final da tarde, com um sol laranja e fraco, o mercador olhava atentamente as pontas dos fios embebidos em óleo que segurava em sua mão, e a tocha presa no chão. Tinha preparado um discurso, mas não se sentia com vontade de lê-lo. Parecia que ao invés de sua euforia que o acompanhou por toda a empreitada, o mercador começava a perceber que havia alguma coisa coisa bastante errada. Parecia que a espada simples e enferrujada tentava dizer alguma coisa. Sobre meios, objetivos e o futuro. Uma série de figuras. Mas a turba começou a se inquietar, e alguns mais ébrios ja ensaiavam um grito de "fogo".
O mercador chacoalhou suas superstições e acendeu o pavio. Nunca na história da Inglaterra um fio queimou tão devagar. Pareciam horas.. até que o fogo atingiu simultaneamente vinte nichos cheios de pólvora.
A pedra pareceu tremer por instante. E depois deixou de existir. Milhares de pedaços voaram por cima da multidão, machucando muitos... o barulho estrondoso foi ouvido à milhas dali, e por meses nenhum caçador conseguiu achar uma pássaro sequer nas redondezas.
O povo que tinha abaixado instintivamente calmamente se levantou e com esparança olhava a poeira abaixar. O mercador percebeu antes de todos. Tateava deseperado o chão.. e quando a multidão começava a aplaudir o feito, o mercador ja chorava copiosamente. Procurava a espada, mas só achava pequenos fragmentos de metal retorcido. Parte da jóia enrustada em seu cabo ele achou embaixo de um monte de couro queimado. Perdida. A espada do rei estava perdida. Imprestável. Quando a multidão perecebeu o que acontecera, todos começaram instantaneamente a procurar juntos. Sabiam que fora perdida uma coisa que não era para ser perdida. E procuraram por horas a fio.
Ninguem conseguiu achar a espada. Os fragmentos recolhidos não enchiam nem a palma de uma mão. A profecia não foi completa e os druidas se recolheram.
Eventualmente o duque contratou o mercador para trabalhar no desenvolvimento deste pó preto. O mercador capturou um barco de sábios orientais, e junto com o Duque engajou uma guerra sangrenta pelo controle de outros ducados. Com o pó explodindo os muros ficou fácil. O duque matou os druidas a noite e as bruxas de dia. Após sete anos da explosão da espada, ele proclamou seu filho soberano da Inglaterra, e a história da espada foi esquecida.
Todo dia, de cavaleiros de reinos distantes à trovadores bêbados, uma fila se formava e tentava arrancar a droga da espada. Nem era uma espada tão bonita assim, mas a Inglaterra parecia consumida pela espera de seu Arthur. Isso ja durava mais de 50 anos.
Foi quando chegou um mercador Vienense na vila dos druidas. Ele era acompanhado por um mouro que trazia consigo um pó preto que cheirava enxofre, e disse que iria arrancar a espada dali. Ele demonstrou seu potencial escolhendo uma pedra similar mais distante, compactando esse pó em porções estratégicas e acendendo trilhas de corda com querosene de forma habilidosa e simultânea. Sem dúvida e de forma instantânea a pedra voou pelos ares e caiu em pedaços pequenos e distantes.
Os druidas se engasgaram e as crianças assustadas dispararm para longe dali, se esconder nas barras das saias de mães que olhavam boquiabaertas e pensavam "Agora vai".
Ficou marcado para a semana seguinte a tentativa do mercador italiano de se tornar o rei da Inglaterra. A expectativa se espalhou de forma rápida e certeira, e o boato ja estava bem grande no começo da semana seguinte. Nem a fuga do assistente mouro, numa madrugada, pareceu desanimar a turba. Ele tinha deixado bastante pó preto atrás de si.
No grande dia, o ducado estava em massa. Místicos e curiosos se aglomerevam atrás da corda de proteção, enquanto o mercador organizava sua equipe de cinco homens. O processo, perto do final, ficou silenciosos e laborioso, e demorou uma tarde inteira. O próprio duqeue estava presente. Nao arredou o pé da primeira fila.
Ao final da tarde, com um sol laranja e fraco, o mercador olhava atentamente as pontas dos fios embebidos em óleo que segurava em sua mão, e a tocha presa no chão. Tinha preparado um discurso, mas não se sentia com vontade de lê-lo. Parecia que ao invés de sua euforia que o acompanhou por toda a empreitada, o mercador começava a perceber que havia alguma coisa coisa bastante errada. Parecia que a espada simples e enferrujada tentava dizer alguma coisa. Sobre meios, objetivos e o futuro. Uma série de figuras. Mas a turba começou a se inquietar, e alguns mais ébrios ja ensaiavam um grito de "fogo".
O mercador chacoalhou suas superstições e acendeu o pavio. Nunca na história da Inglaterra um fio queimou tão devagar. Pareciam horas.. até que o fogo atingiu simultaneamente vinte nichos cheios de pólvora.
A pedra pareceu tremer por instante. E depois deixou de existir. Milhares de pedaços voaram por cima da multidão, machucando muitos... o barulho estrondoso foi ouvido à milhas dali, e por meses nenhum caçador conseguiu achar uma pássaro sequer nas redondezas.
O povo que tinha abaixado instintivamente calmamente se levantou e com esparança olhava a poeira abaixar. O mercador percebeu antes de todos. Tateava deseperado o chão.. e quando a multidão começava a aplaudir o feito, o mercador ja chorava copiosamente. Procurava a espada, mas só achava pequenos fragmentos de metal retorcido. Parte da jóia enrustada em seu cabo ele achou embaixo de um monte de couro queimado. Perdida. A espada do rei estava perdida. Imprestável. Quando a multidão perecebeu o que acontecera, todos começaram instantaneamente a procurar juntos. Sabiam que fora perdida uma coisa que não era para ser perdida. E procuraram por horas a fio.
Ninguem conseguiu achar a espada. Os fragmentos recolhidos não enchiam nem a palma de uma mão. A profecia não foi completa e os druidas se recolheram.
Eventualmente o duque contratou o mercador para trabalhar no desenvolvimento deste pó preto. O mercador capturou um barco de sábios orientais, e junto com o Duque engajou uma guerra sangrenta pelo controle de outros ducados. Com o pó explodindo os muros ficou fácil. O duque matou os druidas a noite e as bruxas de dia. Após sete anos da explosão da espada, ele proclamou seu filho soberano da Inglaterra, e a história da espada foi esquecida.
Tuesday, May 30, 2006
WishList
Eu quero o tempo todo que eu gastei vendo filmes de volta.
Eu quero pegar o publicitário que me garantiu que eu ia ser feliz e mijar no pescoço decepado dele.
Eu quero ver fotos do enterro de todas as supermodelos.
Eu não quero saber o tamanho do pinto do Bruce Willis.
Eu nãp quero saber o gosto do peito da Ana Paula Arósio.
Eu quero uma vida só minha e de quem eu conheço.
Eu tenho medo desses sonhos embutidos, contra minha vontade, que me pertubam o sono.
Eu quero existir desprovido de expectativa.
Quero sonhar com goiabas e não com sucesso.
Um almoço quente que cheire à comida.
Perceber que mereço tudo que tenho, e tenho muito.
E o que não tenho talvez não precise.
Que a vida é móvel.
Que a alternativa é viável.
Que a rota é alternativa.
Que caixão não tem gaveta, não tem armário, não tem porta-retrato.
Que essa vida é nossa, e que o mundo é uma noção de tempo.
E que o tempo é agora.
Bons sonhos.
Que sejam os seus.
Eu quero pegar o publicitário que me garantiu que eu ia ser feliz e mijar no pescoço decepado dele.
Eu quero ver fotos do enterro de todas as supermodelos.
Eu não quero saber o tamanho do pinto do Bruce Willis.
Eu nãp quero saber o gosto do peito da Ana Paula Arósio.
Eu quero uma vida só minha e de quem eu conheço.
Eu tenho medo desses sonhos embutidos, contra minha vontade, que me pertubam o sono.
Eu quero existir desprovido de expectativa.
Quero sonhar com goiabas e não com sucesso.
Um almoço quente que cheire à comida.
Perceber que mereço tudo que tenho, e tenho muito.
E o que não tenho talvez não precise.
Que a vida é móvel.
Que a alternativa é viável.
Que a rota é alternativa.
Que caixão não tem gaveta, não tem armário, não tem porta-retrato.
Que essa vida é nossa, e que o mundo é uma noção de tempo.
E que o tempo é agora.
Bons sonhos.
Que sejam os seus.
Friday, May 12, 2006
Aew!
Nasceu um pé de feijão gigante no meu quintal!
Ele é do calibre de um boi, e cada folha serve perfeitamente como o degrau de uma escada leguminosa rumo ao céu. Estou levando uma mochila, um canivete, uma identidade falsa e a bombinha de asma.
Vou subir la hoje a noite, depois eu escrevo como que foi.
Ele é do calibre de um boi, e cada folha serve perfeitamente como o degrau de uma escada leguminosa rumo ao céu. Estou levando uma mochila, um canivete, uma identidade falsa e a bombinha de asma.
Vou subir la hoje a noite, depois eu escrevo como que foi.
Eu fiz uma máquina que me permite parar o tempo. Enquanto as pessoas e as leis da física se encontram congeladas eu perambulo pela cidade. Eu posso estar ai nesse instante, do seu lado, e você nunca ia ficar sabendo. Eu mexo em corrependência, vejo as fotos, aperto a bunda da sua mina e mijo no feijão.
Mas ja perdeu a graça. Vou vender no mercadolivre, ou trocar por um aquário.
Mas ja perdeu a graça. Vou vender no mercadolivre, ou trocar por um aquário.
Friday, May 05, 2006
Tinha um guarda chuva quebrado rolando na sarjeta um dia desses. Descendo a Teodoro, em frente à padaria. O guarda-chuva ia descendo com a enxurrada, e eu fumando em baixo do toldinho. A chuva ja tinha enfraquecido, mas a enxurrada era monstruosa. O guarda-chuva atravessou o cruzamento da capote e parou na frente da loja de feragens, provocando um turbilhão de água em cima da calçada, molhando o sapato de uma senhora que ficou puta. Ela devia ter uns sessenta anos, e andava devagar, tentando esconder a bolsa da chuva. E ficou puta de verdade. Andou até a enxurrada, molhando as pernas e as meias, olhando pro guarda-chuva que nem um cão de guarda preso por muito tempo, abaixou, com certa dificuldade e desajeitada, pegou o guarda-chuva quebrado e jogou no meio da rua. Jogou com raiva, jogou sem ver nada, quase num ônibus que tava descendo. Ela virou e voltou pelo caminho que estava vindo. Deu a impressão que ela tinha saído de casa só para jogar o guarda-chuva longe.
Thursday, April 27, 2006
Quando a casa caí
Eu via todo mundo se transformando em ratos. Nunca, eu pensei comigo mesmo, eu me sujeitaria a tamanha vergonha. Sou um homem. Não sou um rato. Eles se encolhiam e diminuiam e em sua mesquinahria atravessavam o pequeno buraco por onde passa o ar condicionado do prédio.
Foi quando eu senti o calor do fogo atras da porta, e a fumaça começou a invadir a sala.
Como eles viraram ratos?! Precisva virar um rato, mas os ratos ja tinham ido embora.
O buraco do ar-condicionado é grande demais para mim. Os bombeiros gritam da rua, mas eu não consigo ouvir.
Foi quando eu senti o calor do fogo atras da porta, e a fumaça começou a invadir a sala.
Como eles viraram ratos?! Precisva virar um rato, mas os ratos ja tinham ido embora.
O buraco do ar-condicionado é grande demais para mim. Os bombeiros gritam da rua, mas eu não consigo ouvir.
Monday, April 24, 2006
musica 1
Me pagaram para fazer
Me disseram pra largar
Me falaram que era hora de parar
Me cobraram por falar
Mas eu vou ouvindo,
vou ouvindo, vou ouvindo e esquecendo.
Mas diz ai, se estão tão certos,
Qual o nome do monstro do seu armário?
Quantas estrelas voce ve da sua janela?
Quem matou Galileu?
E por quem voce vai chorar na hora de morrer?
Mas eu vou andando,
quebrado, sorrindo e vivendo.
Me disseram pra largar
Me falaram que era hora de parar
Me cobraram por falar
Mas eu vou ouvindo,
vou ouvindo, vou ouvindo e esquecendo.
Mas diz ai, se estão tão certos,
Qual o nome do monstro do seu armário?
Quantas estrelas voce ve da sua janela?
Quem matou Galileu?
E por quem voce vai chorar na hora de morrer?
Mas eu vou andando,
quebrado, sorrindo e vivendo.
Wednesday, April 19, 2006
menos
Estava escuro e eu abri a janela. A noite veio e eu liguei a luz. O silencio incomodou e eu pus uma musica. A musica era triste e eu abri um vinho. Eu não tinha o que fazer e acendi um cigarro. Eu tinha um espelho no banheiro que eu ja quebrei.
E mesmo fazendo 120 na bandeirantes eu olho pro lado e o motorista sou eu.
E mesmo fazendo 120 na bandeirantes eu olho pro lado e o motorista sou eu.
inserir texto
Eu ia ser cínico.. eu queria ser ácido e cínico e esperto. Demonstra inteligência. Mas eu ando uma criança que só quer brincar e abraçar todo mundo. Eu queria xingar, mas só consigo nutrir apreensão. Pelo tempo que todo mundo perde sendo tão esperto. Sendo tão individual e tão esperto. Cansei de ser o colunista do erro e da apreensão. Quero explorar o continente das coisas que dão certo.
Parece que eu estou sempre esperando o fim das coisas para dizer "bem que eu disse", ou "eu ja sabia". Um segredo rápido, para todos os espertos. Eu não sabia merda nenhuma. E só disse merda.
Parece que eu estou sempre esperando o fim das coisas para dizer "bem que eu disse", ou "eu ja sabia". Um segredo rápido, para todos os espertos. Eu não sabia merda nenhuma. E só disse merda.
Tuesday, April 18, 2006
pascoa
Se o ano 33DC fosse hoje, no boa noite brasil a manchete ia ser:
"Judeu Zumbi Some da Tumba e Aterroriza a Galiléia!"
"Judeu Zumbi Some da Tumba e Aterroriza a Galiléia!"
Monday, April 17, 2006
são paulo II
Tem um pé de alface estragado em cima da mesa.
Tem um chocolate meio comido.
Tem um cheiro de laranja velha.
Uma vela pelo fim.
A luz ainda não voltou.
São tres dias de eclipse e a tv ja esta fora do ar.
Eu tinha aguentado tudo até agora. Os sumiços, as doenças, os motins, os malditos e intermináveis motins.
Eu tive que matar um homem que tentou entrar aqui.
A escuridão la fora é selvagem, e o frio entra nos meus ossos como uma anestesia líquida de ultima geração. Willian Bonner chorou no ar anteontem.
Sem tv não vai dar. Vou pegar uma faca e caçar comida na Pompéia.
Quem sabe o sol volta. Dai vai ser uma festa. Ah, meu irmão, quando o sol voltar vai ser a festa das festas.
Tem um chocolate meio comido.
Tem um cheiro de laranja velha.
Uma vela pelo fim.
A luz ainda não voltou.
São tres dias de eclipse e a tv ja esta fora do ar.
Eu tinha aguentado tudo até agora. Os sumiços, as doenças, os motins, os malditos e intermináveis motins.
Eu tive que matar um homem que tentou entrar aqui.
A escuridão la fora é selvagem, e o frio entra nos meus ossos como uma anestesia líquida de ultima geração. Willian Bonner chorou no ar anteontem.
Sem tv não vai dar. Vou pegar uma faca e caçar comida na Pompéia.
Quem sabe o sol volta. Dai vai ser uma festa. Ah, meu irmão, quando o sol voltar vai ser a festa das festas.
internet é legal
antes disso... achei na internet.. acho que foi em 2003... fiquei feliz.
http://www.evirt.com.br/contos/bruno01.htm
http://www.evirt.com.br/contos/bruno01.htm
Monday, April 10, 2006
bossa
Foda-se a aura, foda-se o karma
eu vou vender meu violão
e comprar uma arma
Eu perguntei pro homem de branco
e as crianças que morrem dormindo?
E o homem respondeu calado:
Os erros dos homens não tem lugar nessa bossa.
eu vou vender meu violão
e comprar uma arma
Eu perguntei pro homem de branco
e as crianças que morrem dormindo?
E o homem respondeu calado:
Os erros dos homens não tem lugar nessa bossa.
Paranaguá - SP
Das várias histórias que o meu avô me contou sobre as missões de exploradores que fundaram a cidade de Paranaguá, talvez esta seja a que mais me impressionou. Eu já não era criança, mas também não era grande o suficiente para pensar em meu avô falando algumas das obscenidades que eu tento repetir agora.
Dizem que em 1790 havia um caminho de terra que cortava da cidade de Campinas até a fronteira com o Estado de Minas Gerais. Este caminho na mata começou a ficar largo e movimentado na proporção em que mais fazendas de café se instalvam em suas margens. Entre um ponto e outro, perto de um fio de água desimportante chamado Paranaguá, que corria modesto mas constante em direção ao oeste, um assentamento de burros de carga foi talhado na mata. Uma clareira forçada, à menos de 50 metros de uma das curvas do rio, e mais uns 50 metros até a estrada. Na clareira instalaram uns cochos e uma cabana modesta para vigília dos burros que dormiam ali. Tudo modesto, pois os grandes carregamentos simplesmente podiam andar mais entre as duas vilas vizinhas.A clareira do córrego logo virou um ponto para todas as cargas de pessoas que não tinhmam condições de manter carroças puxadas por cavalos, ou condição de trazer mantimento seco o suficiente para puxar mais de um dia seguido na estrada.
Isto não foi meu avô que disse, mas um resumo do que aprendi na escola. Na escola eu aprendi também que um caçador chamado Quino Paez que tinha vindo do sul começou a fazer da clareira um ponto de negócios entre pequenos comerciantes. Logo uma pousada e um bar surgiram, e a cidade começou a florescer modestamente, se afastando do córrego e se afastando da estrada.
Este salto lógico entre um monte de toco para amarrar burro e uma cidade de comércio parecia normal no primeiro grau, mas meu avô não seria enganado. Não ele. Ele sabia a verdade. Na verdade, como vim a perceber depois, quase todo mundo sabia da verdade, e eu acho se você ja tivesse se sentado para fumar um cigarro e tomar uma pinga (e essa era a combinação que indicava um caráter confiável quando meu avô era jovem), você também saberia.
Existia um caçador chamado Quino Paez, um argentino desdentado, e sim, ele veio para estas bandas e sem querer começou uma cidade. Agora meu avô olhava para mim e dizia “... mas caçar o que aqui? Café?!” As fazendas tinham afugentado qualquer caça valiosa de um raio de mais de um dia de viagem. Claro que um esfomeado podia achar um veado perdido nas fronteiras entre as fazendas, mas isto não era profissão, e com certeza vendendo veado não se formava uma cidade (embora as informações sejam conflitantes a respeito disso).
Então meu avô olhava para um copo americano de tamanho diminuto e dizia que as únicas coisas que fariam um cara parar no meio do nada e pousar gastando dinheiro para isto eram três : Mulher, bebida e mais dinheiro. Quino Paez não era dono de prostíbulo, e pelo jeito das coisas nem mesmo a mais generosa matrona gastaria seu tempo armando uma cabana ao lado de cinquenta jegues, burros e mulas.
Bebida era um cenário mais possível. Um alambique clandestino não era tão difícil de constuir, e com tanta gente carregando um pouco de cana para lá e para cá, é bem possível que o casebre de Quino tivesse sua própria receita para aguardente. Então talvez Quino tivesse um bar. Algo para beber, um espaço para dormir e um preço modesto. Mas havia incontáveis paradas de estrada com este propósito pelo Brasil afora, e não foram muitas que viraram cidades, então qual era a diferença?
- “Bosta!”. Categórico meu avô olhava para mim com olhos um pouco mais fundos que o normal e apontava para toda sua volta. “Bosta para todo mundo, tudo isto aqui, do prédio alto até a cruz de ferro da Matriz, tudo com dinheiro de merda”
Isto eles não falavam na escola.
O homem vêm usando fezes de animais para melhorar suas colheitas desde quase o começo da agricultura. Isto se fazia às margens do Nilo, nos vinhedos da França, nos milharais do Norte e em todo pomar e jardim. Quino, se dizia, na verdade tinha aberto um bar de pinga para dezenas de tocadores de mulas de produtos variados. Voce consegue imaginar a sujeira que cinquenta animais faziam numa área de um quarteirão? -“Era muita merda”. Longe o suficiente do riacho para que não compensasse jogar lá. Talvez até tivessem jogado. Na época mais seca, embora até meu avô fosse ressabiado com esta parte da história, diziam que depois de descarregar o montante de dois dias de esterco no córrego, ele simplesmente parou e represou, inundando a mata ao lado e escorrendo pela estrada, e naquela época um tocador de cavalo de uma das poderosas fazendas de café da região tinha jeitos bastante criativos de intimidar o paspalho que tinha lotado o rio de bosta.
Não se sabe quem e como o negócio começou, mas dizem que um fazendeiro ao ver uma pilha descomunal de bosta sugeriu que se Quino quisesse, ele poderia se livrar daquela sujeira toda. Quino, que aparentemente não era tão paspalho assim, juntou dois com dois e pôs um preço, que na cabeça dele era exorbitante. O fazendeiro levou pela metade do preço. Quino tinha ganho o equivalente à exorbitante dividido por dois, o que para ele, era muito.
Logo Quino olhava por sua janela à noite, e ao invés de mulas ele via máquinas de dinheiro. Ele começou a alimentar os animais com comidas especiais, pesadas. Muita comida. Não bastou muito até ele começar a misturar um laxante no meio das pedras de sal, e quanto mais fedia seu quintal, mas Quino sorria.
Neste mundo não existe um segredo sequer, e depois de um tempo frequentadores mais assíduos começaram a jogar umas perguntas sobre como o senhor Quino tinha arranjado dinheiro para comprar aquele colchão da cidade grande. Quino sentiu a situação e começou a dar hospedagem de graça para quem trouxesse mais de cinco animais graúdos, ou sete porcos, ou vinte galinhas numa gaiola trançada que não tivesse piso forrado. Com a possibilidade de dormir bem e de graça, comerciantes começaram a viajar com animais extras para alcançar a cota de Quino, e antes da história notar aquela bagunça, estava tudo escancarado. Agora existia um sistema para quela merda toda. Catalogado, separado, pesado e embalado, o esterco de Paranaguá ganhou fama regional. O bar se estendeu a um hotel. Os fazendeiros mandavam buscar quantidades exorbitantes de estrume, e a nata dos capitães de comércio paravam para beber e levar carroças cheias, não sem antes deixar sua própria contribuição. Até o conteúdo das casinhas e fossas era embalado, embora para o pouco de bom gosto que resta a esta narrativa, eu escolho não revelar que parte essencial de nossa agroindústria buscava avidamente esta espécie de mercadoria.
Com o hotel veio o divertimento, e com o dinheiro dos compradores de esterco as praticantes da mais antiga profissão do mundo aprenderam a esquecer do cheiro de merda e armaram sua “casa de danças”. “Aquela merda cheirava melhor que muitos dos clientes” garantia meu avô, numa tentativa frustrada de amenizar a condição toda.
Logo os apanhadores de estrume tiveram filhos, e dos filhos dos apanhadores de estrume veio a necessidade de manter um pouco de ordem. Logo um padre veio e uma capela foi erguida com o dinheiro de fertilizante. Na beira da clareira novos caminhos haviam sido cortados, armazéns se ergueram, e um tímido comércio floresceu. E então um Quino Paez velho e elegante parou no centro da antiga clareira, cercado de mulas com diarréia e proclamou. “Amigos, viemos de muito longe. Olho para os lados e vejo que nosso trabalho rendeu frutos, e este frutos formaram uma comunidade. Que nenhum homem e mulher de agora em diante tenha vergonha de dizer que nasceu na curva do Paranaguá!”. Embora meu avô acreditasse que ele na verdade não tinha dito nada disso, e que qualquer grupo de pessoas cercados de um bar, um puteiro e uma igreja sabiam que aquilo já era uma cidade, e aquela cidade já tinha nome.
Dizem que Quino faleceu em seguida, e na praça central um humilde monumento de pedra foi erguido, e os coletores de estrume tranferiram seu negócio para uma região mais acima na cidade, mas, por um breve momento, me vinha a imagem na cabeça de um grupo de pessoas de bem, vestidas com roupa de domingo, caminhando até a igreja com botas altas para andar no meio daquela merda toda.
Dizem que em 1790 havia um caminho de terra que cortava da cidade de Campinas até a fronteira com o Estado de Minas Gerais. Este caminho na mata começou a ficar largo e movimentado na proporção em que mais fazendas de café se instalvam em suas margens. Entre um ponto e outro, perto de um fio de água desimportante chamado Paranaguá, que corria modesto mas constante em direção ao oeste, um assentamento de burros de carga foi talhado na mata. Uma clareira forçada, à menos de 50 metros de uma das curvas do rio, e mais uns 50 metros até a estrada. Na clareira instalaram uns cochos e uma cabana modesta para vigília dos burros que dormiam ali. Tudo modesto, pois os grandes carregamentos simplesmente podiam andar mais entre as duas vilas vizinhas.A clareira do córrego logo virou um ponto para todas as cargas de pessoas que não tinhmam condições de manter carroças puxadas por cavalos, ou condição de trazer mantimento seco o suficiente para puxar mais de um dia seguido na estrada.
Isto não foi meu avô que disse, mas um resumo do que aprendi na escola. Na escola eu aprendi também que um caçador chamado Quino Paez que tinha vindo do sul começou a fazer da clareira um ponto de negócios entre pequenos comerciantes. Logo uma pousada e um bar surgiram, e a cidade começou a florescer modestamente, se afastando do córrego e se afastando da estrada.
Este salto lógico entre um monte de toco para amarrar burro e uma cidade de comércio parecia normal no primeiro grau, mas meu avô não seria enganado. Não ele. Ele sabia a verdade. Na verdade, como vim a perceber depois, quase todo mundo sabia da verdade, e eu acho se você ja tivesse se sentado para fumar um cigarro e tomar uma pinga (e essa era a combinação que indicava um caráter confiável quando meu avô era jovem), você também saberia.
Existia um caçador chamado Quino Paez, um argentino desdentado, e sim, ele veio para estas bandas e sem querer começou uma cidade. Agora meu avô olhava para mim e dizia “... mas caçar o que aqui? Café?!” As fazendas tinham afugentado qualquer caça valiosa de um raio de mais de um dia de viagem. Claro que um esfomeado podia achar um veado perdido nas fronteiras entre as fazendas, mas isto não era profissão, e com certeza vendendo veado não se formava uma cidade (embora as informações sejam conflitantes a respeito disso).
Então meu avô olhava para um copo americano de tamanho diminuto e dizia que as únicas coisas que fariam um cara parar no meio do nada e pousar gastando dinheiro para isto eram três : Mulher, bebida e mais dinheiro. Quino Paez não era dono de prostíbulo, e pelo jeito das coisas nem mesmo a mais generosa matrona gastaria seu tempo armando uma cabana ao lado de cinquenta jegues, burros e mulas.
Bebida era um cenário mais possível. Um alambique clandestino não era tão difícil de constuir, e com tanta gente carregando um pouco de cana para lá e para cá, é bem possível que o casebre de Quino tivesse sua própria receita para aguardente. Então talvez Quino tivesse um bar. Algo para beber, um espaço para dormir e um preço modesto. Mas havia incontáveis paradas de estrada com este propósito pelo Brasil afora, e não foram muitas que viraram cidades, então qual era a diferença?
- “Bosta!”. Categórico meu avô olhava para mim com olhos um pouco mais fundos que o normal e apontava para toda sua volta. “Bosta para todo mundo, tudo isto aqui, do prédio alto até a cruz de ferro da Matriz, tudo com dinheiro de merda”
Isto eles não falavam na escola.
O homem vêm usando fezes de animais para melhorar suas colheitas desde quase o começo da agricultura. Isto se fazia às margens do Nilo, nos vinhedos da França, nos milharais do Norte e em todo pomar e jardim. Quino, se dizia, na verdade tinha aberto um bar de pinga para dezenas de tocadores de mulas de produtos variados. Voce consegue imaginar a sujeira que cinquenta animais faziam numa área de um quarteirão? -“Era muita merda”. Longe o suficiente do riacho para que não compensasse jogar lá. Talvez até tivessem jogado. Na época mais seca, embora até meu avô fosse ressabiado com esta parte da história, diziam que depois de descarregar o montante de dois dias de esterco no córrego, ele simplesmente parou e represou, inundando a mata ao lado e escorrendo pela estrada, e naquela época um tocador de cavalo de uma das poderosas fazendas de café da região tinha jeitos bastante criativos de intimidar o paspalho que tinha lotado o rio de bosta.
Não se sabe quem e como o negócio começou, mas dizem que um fazendeiro ao ver uma pilha descomunal de bosta sugeriu que se Quino quisesse, ele poderia se livrar daquela sujeira toda. Quino, que aparentemente não era tão paspalho assim, juntou dois com dois e pôs um preço, que na cabeça dele era exorbitante. O fazendeiro levou pela metade do preço. Quino tinha ganho o equivalente à exorbitante dividido por dois, o que para ele, era muito.
Logo Quino olhava por sua janela à noite, e ao invés de mulas ele via máquinas de dinheiro. Ele começou a alimentar os animais com comidas especiais, pesadas. Muita comida. Não bastou muito até ele começar a misturar um laxante no meio das pedras de sal, e quanto mais fedia seu quintal, mas Quino sorria.
Neste mundo não existe um segredo sequer, e depois de um tempo frequentadores mais assíduos começaram a jogar umas perguntas sobre como o senhor Quino tinha arranjado dinheiro para comprar aquele colchão da cidade grande. Quino sentiu a situação e começou a dar hospedagem de graça para quem trouxesse mais de cinco animais graúdos, ou sete porcos, ou vinte galinhas numa gaiola trançada que não tivesse piso forrado. Com a possibilidade de dormir bem e de graça, comerciantes começaram a viajar com animais extras para alcançar a cota de Quino, e antes da história notar aquela bagunça, estava tudo escancarado. Agora existia um sistema para quela merda toda. Catalogado, separado, pesado e embalado, o esterco de Paranaguá ganhou fama regional. O bar se estendeu a um hotel. Os fazendeiros mandavam buscar quantidades exorbitantes de estrume, e a nata dos capitães de comércio paravam para beber e levar carroças cheias, não sem antes deixar sua própria contribuição. Até o conteúdo das casinhas e fossas era embalado, embora para o pouco de bom gosto que resta a esta narrativa, eu escolho não revelar que parte essencial de nossa agroindústria buscava avidamente esta espécie de mercadoria.
Com o hotel veio o divertimento, e com o dinheiro dos compradores de esterco as praticantes da mais antiga profissão do mundo aprenderam a esquecer do cheiro de merda e armaram sua “casa de danças”. “Aquela merda cheirava melhor que muitos dos clientes” garantia meu avô, numa tentativa frustrada de amenizar a condição toda.
Logo os apanhadores de estrume tiveram filhos, e dos filhos dos apanhadores de estrume veio a necessidade de manter um pouco de ordem. Logo um padre veio e uma capela foi erguida com o dinheiro de fertilizante. Na beira da clareira novos caminhos haviam sido cortados, armazéns se ergueram, e um tímido comércio floresceu. E então um Quino Paez velho e elegante parou no centro da antiga clareira, cercado de mulas com diarréia e proclamou. “Amigos, viemos de muito longe. Olho para os lados e vejo que nosso trabalho rendeu frutos, e este frutos formaram uma comunidade. Que nenhum homem e mulher de agora em diante tenha vergonha de dizer que nasceu na curva do Paranaguá!”. Embora meu avô acreditasse que ele na verdade não tinha dito nada disso, e que qualquer grupo de pessoas cercados de um bar, um puteiro e uma igreja sabiam que aquilo já era uma cidade, e aquela cidade já tinha nome.
Dizem que Quino faleceu em seguida, e na praça central um humilde monumento de pedra foi erguido, e os coletores de estrume tranferiram seu negócio para uma região mais acima na cidade, mas, por um breve momento, me vinha a imagem na cabeça de um grupo de pessoas de bem, vestidas com roupa de domingo, caminhando até a igreja com botas altas para andar no meio daquela merda toda.
Wednesday, March 29, 2006
harmonia é frequência
Um velho alfaiate, ja cansado e usado, olha para suas duas mãos que não param de tremer. Ele pega o bule de chá, e mal consegue colocar na xícara em cima da mesa. Ele se cortou feio quando barbeava, e desde então parou de fazer a barba. Suas mãos descontroladas tem dificuldade para abotoar sua camisa. O alfaiate se levanta e anda até sua mesa, e com dificuldade carrega os panos.
Ele senta na sua bancada com os pedaços de pano, e num movimento contínuo e perfeito, atravessa a linha no buraco da agulha. Ele ri de si mesmo. Suas mãos tremem, mas elas tremem juntas em perfeita sintonia.
Moral - De vez em quando, o problema é do mundo.
Ele senta na sua bancada com os pedaços de pano, e num movimento contínuo e perfeito, atravessa a linha no buraco da agulha. Ele ri de si mesmo. Suas mãos tremem, mas elas tremem juntas em perfeita sintonia.
Moral - De vez em quando, o problema é do mundo.
Cowboys
Tem uma cena de um sonho que não é meu. É de uma pessoa que eu conheci em Agrabah que tinha comprado um canário de uma moça da Penthouse que voou para lá tentar ficar noiva do sultão. A cena do sonho tambem não é dele, nem dela, nem do Sultão.
No sonho o sonhador esta acordado depois de dormir.Nessa cena o sonhador sou eu, mas é por pura casualidade. Quando o sonho for seu, e será, voce vai ser o sonhador.
O cara percebe que um mar extenso de sangue coagulado fervilha tres centimetros abaixo de seus pés. O mar, este mar, ferve a uma temperatura insuportável, e o cheiro de ferro é tão intenso que o sonhador tenta tapar o nariz, e tosse. O cara percebe a sorte do sangue estar coagulado, e percebe que as bolhas que quebram a película aparecem por sorte ou azar em pontos quaisquer. O sonhador agora tem pressa de sair. Mas não pode. Ele flutua, mas não sabe voar. Ele se vira, mas é tudo o que faz. Nos horizontes, apenas o céu negro da falta de ar, o vermelho-sangue do sangue, e o cheiro de ferro.
E do horizonte vem em velocidade uma nau. Esta nave de madeira corta o sangue coagulado e é timonada solitariamente por uma figura que parece ter apenas um braço fundido ao timão. A figura não olha nada. As velas do barco estão baixas, e o sonhador percebe que o barco esta parado, e que é ele, o sonhador em seu mundo do mar de sangue, que rodam em direção ao encontro.
O mundo para de girar em um abrupto momento.
A nau reboca uma draga. A draga é sustentada por grandes tambores de madeira e de um cano chupa o conteúdo do oceano vermelho e joga em seu chão. O sangue bate numa pessoa presa ao chão da draga e escorre em desperdício mudo de volta ao mar. No chão desta balsa esta você, que comprou este sonho, deitada de joelhos dobrados numa esteira bordada e verde. Quando o sonho for seu, voce tambem verá. O cara que sonha, que sou eu, olha para voce estendida no chão e ve que voce esta grávida de todas as coisas novas. Mas o bebe não pode sair porque a draga continua a mirar seu jato de imundíce nos meio de seus joelhos. Basta a mim descer e mover voce a uns poucos centímetros para sua direita, que tudo vai ficar bem.
E eu saio deste mundo de sangue e acordo.E quando acordo estou renovado de toda uma nova forma. Quero continuar a fazer o bem amanhã. E de repente quando durmo um jato de sangue fervente me acerta no meio dos joelhos, e eu vejo o céu negro parado sobre mim, e um mundo de sangue rodando embaixo do barco. E olho para voce parado impotente no céu. E quando acordo, te maldigo baixinho e olho com calma para o belo canário numa gaiola bordada de ouro deixado por Alguém aos pés de minha cama. Ele canta sobre a morte das coisas vivas num futuro próximo. Eu tento não dormir mais. E não consigo.
Dai eu te vendo este canário. E voce é agora o cara.
No sonho o sonhador esta acordado depois de dormir.Nessa cena o sonhador sou eu, mas é por pura casualidade. Quando o sonho for seu, e será, voce vai ser o sonhador.
O cara percebe que um mar extenso de sangue coagulado fervilha tres centimetros abaixo de seus pés. O mar, este mar, ferve a uma temperatura insuportável, e o cheiro de ferro é tão intenso que o sonhador tenta tapar o nariz, e tosse. O cara percebe a sorte do sangue estar coagulado, e percebe que as bolhas que quebram a película aparecem por sorte ou azar em pontos quaisquer. O sonhador agora tem pressa de sair. Mas não pode. Ele flutua, mas não sabe voar. Ele se vira, mas é tudo o que faz. Nos horizontes, apenas o céu negro da falta de ar, o vermelho-sangue do sangue, e o cheiro de ferro.
E do horizonte vem em velocidade uma nau. Esta nave de madeira corta o sangue coagulado e é timonada solitariamente por uma figura que parece ter apenas um braço fundido ao timão. A figura não olha nada. As velas do barco estão baixas, e o sonhador percebe que o barco esta parado, e que é ele, o sonhador em seu mundo do mar de sangue, que rodam em direção ao encontro.
O mundo para de girar em um abrupto momento.
A nau reboca uma draga. A draga é sustentada por grandes tambores de madeira e de um cano chupa o conteúdo do oceano vermelho e joga em seu chão. O sangue bate numa pessoa presa ao chão da draga e escorre em desperdício mudo de volta ao mar. No chão desta balsa esta você, que comprou este sonho, deitada de joelhos dobrados numa esteira bordada e verde. Quando o sonho for seu, voce tambem verá. O cara que sonha, que sou eu, olha para voce estendida no chão e ve que voce esta grávida de todas as coisas novas. Mas o bebe não pode sair porque a draga continua a mirar seu jato de imundíce nos meio de seus joelhos. Basta a mim descer e mover voce a uns poucos centímetros para sua direita, que tudo vai ficar bem.
E eu saio deste mundo de sangue e acordo.E quando acordo estou renovado de toda uma nova forma. Quero continuar a fazer o bem amanhã. E de repente quando durmo um jato de sangue fervente me acerta no meio dos joelhos, e eu vejo o céu negro parado sobre mim, e um mundo de sangue rodando embaixo do barco. E olho para voce parado impotente no céu. E quando acordo, te maldigo baixinho e olho com calma para o belo canário numa gaiola bordada de ouro deixado por Alguém aos pés de minha cama. Ele canta sobre a morte das coisas vivas num futuro próximo. Eu tento não dormir mais. E não consigo.
Dai eu te vendo este canário. E voce é agora o cara.
Tuesday, March 28, 2006
Reformar ou Construir
O que é pior, reformar ou construir? Respondendo essa direito, você tem direito de comprar uma granada.
Falou Pallhofi
A crise política que se abateu (e se arrasta) sobre o Brasil me dá vontade de ver futebol.
Vai Nílmar! Esse moleque promete.
Vai Nílmar! Esse moleque promete.
Legal
Legal é andar num shopping segurando um isqueiro como se fosse uma arma dentro do bolso de um moletom e encarar os seguranças.
Friday, March 24, 2006
Thursday, March 23, 2006
os votos
Selei um acordo com um gênio persa, mas como é da natureza dos gênios persas, ele me enfetiçou para que eu esquecesse quase todo o ocorrido. Eu lembro dele perguntando o que eu queria. Eu lembro dele dizendo que ia realizar meu desejo. Mas não lembro o que eu desejei.
E la embaixo as pessoas continuam andando na Faria Lima.
E la embaixo as pessoas continuam andando na Faria Lima.
tratando
um pires de remédio
um prato de comida
o que for necessário.
a palavra da cantora
um cara e coroa
o que for necessário.
um pedido de desculpas
um transplante de medula
Deus perdoa, porque não?
O que for preciso
para viver para sempre.
Um livro, um filho, uma árvore e um amigo.
Deus perdoa mas não esquece.
um prato de comida
o que for necessário.
a palavra da cantora
um cara e coroa
o que for necessário.
um pedido de desculpas
um transplante de medula
Deus perdoa, porque não?
O que for preciso
para viver para sempre.
Um livro, um filho, uma árvore e um amigo.
Deus perdoa mas não esquece.
Schulz I
"Eu costumava tentar encarar um dia de cada vez, mas agora minha filosofia mudou :
reduzi para meio dia de cada vez!"
Charlie Brown.
reduzi para meio dia de cada vez!"
Charlie Brown.
Tuesday, March 21, 2006
São Paulo I
Num guardanapo de bar que me foi passado pelo garçom, apenas um telefone.
Chegando em casa eu ligo.
Um bipe de secretária sem maiores informações.
Eu desligo. Ligo de novo e fico quieto.
Depois de trinta e dois segundos a máquina desliga na minha cara.
Eu ligo em seguida e digo meu nome.
E saio.
No bar outro guardanapo me passado pelo garçom com outro número.
Eu ligo.
Eu deixo meu nome completo e endereço.
Eu olho o telefone por longas horas.
Nada.
E vou de bar em bar pegando outros guardanapos e encho mil secretárias eletrônicas e serviços de mensagem com meu nome, meu telefone, meu endereço, meu CEP, meu numero do certificado de reservista, titulo eleitoral, senha do cartão, agencia e conta, email, senha do e-mail, cadastro das casas bahia e no que eu penso quando estou no banheiro.
Fechado agora desligo meu telefone e jogo janela afora.
Queimo todos meu cartões e minhas cartas.
Quebro a mobília.
Escrevo meu novo nome em milhares de etiquetas que colo do chão ao teto em minha casa.
Compro um telefone novo com secretária.
Perdido e quebrado saio de novo aos bares, e invisível em meu novo eu, escolho um perdedor solitário. Escrevo meu novo número num guardanapo, aponto o infeliz e dou meu ultimo dinheiro ao garçom.
Rumo ao rio, e penso no meu apartamento, vazio, e no telefone tocando.
Chegando em casa eu ligo.
Um bipe de secretária sem maiores informações.
Eu desligo. Ligo de novo e fico quieto.
Depois de trinta e dois segundos a máquina desliga na minha cara.
Eu ligo em seguida e digo meu nome.
E saio.
No bar outro guardanapo me passado pelo garçom com outro número.
Eu ligo.
Eu deixo meu nome completo e endereço.
Eu olho o telefone por longas horas.
Nada.
E vou de bar em bar pegando outros guardanapos e encho mil secretárias eletrônicas e serviços de mensagem com meu nome, meu telefone, meu endereço, meu CEP, meu numero do certificado de reservista, titulo eleitoral, senha do cartão, agencia e conta, email, senha do e-mail, cadastro das casas bahia e no que eu penso quando estou no banheiro.
Fechado agora desligo meu telefone e jogo janela afora.
Queimo todos meu cartões e minhas cartas.
Quebro a mobília.
Escrevo meu novo nome em milhares de etiquetas que colo do chão ao teto em minha casa.
Compro um telefone novo com secretária.
Perdido e quebrado saio de novo aos bares, e invisível em meu novo eu, escolho um perdedor solitário. Escrevo meu novo número num guardanapo, aponto o infeliz e dou meu ultimo dinheiro ao garçom.
Rumo ao rio, e penso no meu apartamento, vazio, e no telefone tocando.
nissim lama
Não tente dizer que tudo esta certo.
Tente dizer que tudo esta do jeito que era para estar.
Tente dizer que tudo esta do jeito que era para estar.
Sunday, March 19, 2006
O incrível suicidio da menina da escola preparatória
Encontra-se a cena de tal forma, que a garota que esta parada sobre minha cabeça não consegue olhar para lugar nenhum além do céu. Este é o instante. Nunca soube o nome da garota e como vou morrer agora, acho que não saberei. Não sei seu nome e não sei os motivos que levaram-na a pular da janela da escola.
Um pensamento me diverte enquanto meus lentos músculos tentam se esticar para desviar: e se ela não morrer por que eu amorteci a queda? Isso ia ser um barato, de incompreendida suicida para gênio homicida. Quem sabe com a atenção toda que ela ia receber ela fosse descobrir um pouco de apreciação e respeito, e às minhas custas, voltar a sorrir.
Cuidado com a menina louca da escola preparatória. Se voce lhe faltar com a palavra ela pula em cima de você.
Porque olhando para cima? Nesta cena, como ja disse, eu a vejo de costas, cabelos soltos voando para cima, e sua nuca. Que espécie de covarde miserável me pula de um prédio e olha para cima? Corrijo. FAZ o esforço de se virar no ar para que possa olhar o céu. Será que é um sinal de bravura? Não conseguir calcular o momento final? A montanha russa é mais emocionante de olhos fechados ou abertos? Estaria ela facilitando sua ascenção ao céu dos anjos? Dando as costas à terra, dando as costas ao inferno.
Sua cabeça é enorme. Parada aqui, logo acima da minha, eu percebo. Uma bela cabeça grande e dura. A mãe de todos os cocos. Filha da puta. plef. O barulho é de uma melancia.
Um pensamento me diverte enquanto meus lentos músculos tentam se esticar para desviar: e se ela não morrer por que eu amorteci a queda? Isso ia ser um barato, de incompreendida suicida para gênio homicida. Quem sabe com a atenção toda que ela ia receber ela fosse descobrir um pouco de apreciação e respeito, e às minhas custas, voltar a sorrir.
Cuidado com a menina louca da escola preparatória. Se voce lhe faltar com a palavra ela pula em cima de você.
Porque olhando para cima? Nesta cena, como ja disse, eu a vejo de costas, cabelos soltos voando para cima, e sua nuca. Que espécie de covarde miserável me pula de um prédio e olha para cima? Corrijo. FAZ o esforço de se virar no ar para que possa olhar o céu. Será que é um sinal de bravura? Não conseguir calcular o momento final? A montanha russa é mais emocionante de olhos fechados ou abertos? Estaria ela facilitando sua ascenção ao céu dos anjos? Dando as costas à terra, dando as costas ao inferno.
Sua cabeça é enorme. Parada aqui, logo acima da minha, eu percebo. Uma bela cabeça grande e dura. A mãe de todos os cocos. Filha da puta. plef. O barulho é de uma melancia.
Gatinhos
Eu tava no centro e essa mina virou na minha direção com dois olhos inchados de tanto chorar e começou a vomitar gatinhos. Eram vários, e de várias cores, e saíram se espalhando pelas pernas das pessoas amedrontadas. Enquanto as pessoas corriam dos gatos, da menina e de umas das outras, eu observava. Sua garganta inchada parecia a de um sapo, e maioria dos seus dentes estavam quebrados. Em certo ponto ela tossiu tres gatos de uma vez e desmaiou, ou morreu. Eu nunca vou saber. Os gatos saíam imundos de dentro da menina desacordada e subiam pelos prédios, corriam pelas ruas e pulavam nas árvores. Eles eram tão pequenos. Eles eram centenas.
Pareciam perdidos, mas apenas pareciam. Logo que o último gato saiu de dentro da garota, eles pararam sua corrida em um uníssono incômodo, sentaram em sua pequenas esqueléticas patas traseiras e obervaram a multidão. Uma senhora distraída com as compras foi a primeira. Dois gatos saltaram do pórtico da prédio antigo, cravaram as unhas em cabelo, pele, roupas e óculos. Ela gritou de medo e de susto. Foi o que bastou. Os dois gatos entraram rápidos por sua boca, e num instante de confusão, ela levou as mãos à garganta, e tentou berrar, mas não se ouviu nada. A multidão confusa esolheu este momento para hesitar por uma fração de segundo. Foi um momento apenas, antes de mais correria. Um momento de silêncio.Daí os gatos atacaram. Eu não cheguei nem a ver a cor do que entrou na minha boca.
Poucos escaparam dos gatos aquele dia, a situação de extendeu por várias horas e mais algumas regiões da cidade. Hospitais foram interditados e a guarda nacional do exército isolou em confinamento praticamente a cidade inteira. Um multirão de médicos e cientistas tenta comprender até hoje o que aconteceu. Eu ja desisti dos testes. Outras pessoas não. Em vão os cientistas procuram vestígios dentro dos milhares que engoliram algum gato aquele dia. Quando o primeiro morreu, alguns dias depois, em circustâncias não relacionadas, a comunidade não escondeu o alívio. Morreu o primeiro! Agora sabemos que este gatos vão todos nos matar! Mas o tempo passou, e nada aconteceu.
Eu faço um checkup por ano, e a minha ficha vem assinalada como : "supostamente infectado no incidente de xx/xx". Minha saúde é perfeita. Minha sanidade nem tanto.Eu vejo a menina de vez em quando, em sonhos e relances, mas não sei de seu real paradeiro. Eu parei de tentar entender. Eu parei de tentar esperar. Vivo agora um dia de cada vez, em sublime ignorância, sentindo eles ferozes e furiosos crescendo dentro de mim.
Pareciam perdidos, mas apenas pareciam. Logo que o último gato saiu de dentro da garota, eles pararam sua corrida em um uníssono incômodo, sentaram em sua pequenas esqueléticas patas traseiras e obervaram a multidão. Uma senhora distraída com as compras foi a primeira. Dois gatos saltaram do pórtico da prédio antigo, cravaram as unhas em cabelo, pele, roupas e óculos. Ela gritou de medo e de susto. Foi o que bastou. Os dois gatos entraram rápidos por sua boca, e num instante de confusão, ela levou as mãos à garganta, e tentou berrar, mas não se ouviu nada. A multidão confusa esolheu este momento para hesitar por uma fração de segundo. Foi um momento apenas, antes de mais correria. Um momento de silêncio.Daí os gatos atacaram. Eu não cheguei nem a ver a cor do que entrou na minha boca.
Poucos escaparam dos gatos aquele dia, a situação de extendeu por várias horas e mais algumas regiões da cidade. Hospitais foram interditados e a guarda nacional do exército isolou em confinamento praticamente a cidade inteira. Um multirão de médicos e cientistas tenta comprender até hoje o que aconteceu. Eu ja desisti dos testes. Outras pessoas não. Em vão os cientistas procuram vestígios dentro dos milhares que engoliram algum gato aquele dia. Quando o primeiro morreu, alguns dias depois, em circustâncias não relacionadas, a comunidade não escondeu o alívio. Morreu o primeiro! Agora sabemos que este gatos vão todos nos matar! Mas o tempo passou, e nada aconteceu.
Eu faço um checkup por ano, e a minha ficha vem assinalada como : "supostamente infectado no incidente de xx/xx". Minha saúde é perfeita. Minha sanidade nem tanto.Eu vejo a menina de vez em quando, em sonhos e relances, mas não sei de seu real paradeiro. Eu parei de tentar entender. Eu parei de tentar esperar. Vivo agora um dia de cada vez, em sublime ignorância, sentindo eles ferozes e furiosos crescendo dentro de mim.
Friday, March 17, 2006
Crítica fundamental do cinema contemporâneo
Este é um texto simples que tem como objetivo criar um sistema universal e informatizado que permita a exclusão da tendenciável crítica humana sobre o cinema.
Funciona assim. Alguns indicadores são somados ou subtraídos de um numero arbitrário. Quanto maior for o valor, melhor será a crítica, e vice e versa.
Começa-se com um valor de 50 pontos para uma crítica mediana. 30 para jornais sérios e professores universitários. 70 para revistas de tv a cabo.
1->é uma continuação? (- 5 pontos)
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
2b->Mas é amigo do Robert Redford? (+7 pontos)
3->O diretor nunca pisou em solo americano (+10 pontos)
4->A atriz principal é Loira? (-5 pontos)
4b->Mas é velha?(+5 pontos)
4c->Mas é a Nicole Kimdan?(+3 pontos)
5->Tem um animal como coadjuvante? (-10 pontos)
6->O país de origem é de maioria islamica? (+ 3 pontos)
7->O país de origem é socialista? (+3 pontos)
8->O filme é muito mais longo do que devia? (+2 pontos)
9->Discute-se repressão da sexualidade? (+5 pontos)
10->Discute-se munição? (-5 pontos)
11->Tem mortes? (-5 pontos)
11b->Elas são suicídios? (+5 pontos)
11c->Elas são violentas, mas em câmera lenta?(+2 pontos)
11d->É do John Woo ou do tarantino? (+10 pontos)
12->Existe algum adjetivo no título em portugues? (-2 pontos)
12b->Este adjetivo é implacável, irrestível ou impossível? (-3 pontos)
13->O filme é baseado em quadrinhos? (-2 pontos)
14->O filme é baseado em livros? (-3 pontos)
15->O filme é baseado em uma peça de teatro? (+5 pontos)
16->Tem Zumbis? (-5 pontos)
17->Tem fantasmas interpretados por pessoas que voce acha que na verdade estão vivas? (+3 pontos)
18->É uma coprodução estatal?(+2 pontos)
19->Acaba bem?(-2 pontos)
20->Acaba mal (+2 pontos)
21->Não acaba (+7 pontos)
22->É um desenho?(+5 pontos)
23->Os atores são feios? (+3 pontos)
23b->Os atores são velhos? (+3 pontos)
24->Toca Bossa Nova? (+2 pontos)
25->Existe uma mala de dinheiro?(-5 pontos)
26->Existe uma mala de heroína? (+1 ponto)
27->É um ataque frontal ao sistema?(+7 ponto)
28->É um ataque frontal a alienígenas?(-5 pontos)
29->É terror? (-3 pontos)
30->É comédia? (+1 ponto)
30b->Mas faz rir? (-2 pontos)
Desta forma, podemos avaliar desde grandes clássicos até filmes que não foram feitos ainda.
Por exemplo:
A professora de piano:
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
2b->Mas é amigo do Robert Redford? (+7 pontos)
7->O país de origem é socialista? (+3 pontos)
8->O filme é muito mais longo do que devia? (+2 pontos)
9->Discute-se repressão de sexualidade? (+5 pontos)
18->É uma coprodução estatal?(+2 pontos)
20->Acaba mal (+2 pontos)
23->Os atores são feios? (+3 pontos)
23b->Os atores são velhos? (+3 pontos)
27->É um ataque frontal ao sistema?(+7 ponto)
Somando assim: -5+7+3+2+5+2+2+3+3+7 = 29
Num padrão crítico de jornal sério, atingiria 69 pontos, o suficiente para ser um bom filme. Num padrão Guia de TV, atingira 99.. ou seja, uma obra-prima.
enquanto:
Anaconda 2:
1->é uma continuação? (- 5 pontos)
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
4->A atriz principal é Loira? (-5 pontos)
5->Tem um animal como coadjuvante? (-10 pontos)
10->Discute-se munição? (-5 pontos)
11->Tem mortes? (-5 pontos)
19->Acaba bem?(-2 pontos)
29->É terror? (-3 pontos)
Somando assim: -5-5-5-10-5-5-2-3 = -40
Para o crítico=0, uma bomba. Para o guia de TV=30. Diversão razoável.
Além disso, podemos fazer projeções e guias para que se acerte no futuro.
O filme “O ruído do meu descontentamento” baseado numa peça desconhecida, feito pela tv estatal do cazaquistão, após uma revolta socialista, dirigido por um cara desconhecido, mas apresentado no Sundance, estrelando Nicole Kidman e mostrando os conflitos sobre uma dona de casa em relação a sua sexualidade, e seu consequente suícidio que choca sua cidadezinha natal, onde habitam velhos leprosos, é, sem dúvida, o melhor filme de todos os tempos.
Ao passo que “GhostBusters 5 - Macaco implacável”, que mostra uma invasão de zumbis na cidade de Nova Iorque, que só podem ser detidos por uma arma de plasma, que infelizmente foi implantada dentro de um chimpanzé brincalhão, que é resgatado no fim por Paris Hilton, é o pior filme do mundo.
Funciona assim. Alguns indicadores são somados ou subtraídos de um numero arbitrário. Quanto maior for o valor, melhor será a crítica, e vice e versa.
Começa-se com um valor de 50 pontos para uma crítica mediana. 30 para jornais sérios e professores universitários. 70 para revistas de tv a cabo.
1->é uma continuação? (- 5 pontos)
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
2b->Mas é amigo do Robert Redford? (+7 pontos)
3->O diretor nunca pisou em solo americano (+10 pontos)
4->A atriz principal é Loira? (-5 pontos)
4b->Mas é velha?(+5 pontos)
4c->Mas é a Nicole Kimdan?(+3 pontos)
5->Tem um animal como coadjuvante? (-10 pontos)
6->O país de origem é de maioria islamica? (+ 3 pontos)
7->O país de origem é socialista? (+3 pontos)
8->O filme é muito mais longo do que devia? (+2 pontos)
9->Discute-se repressão da sexualidade? (+5 pontos)
10->Discute-se munição? (-5 pontos)
11->Tem mortes? (-5 pontos)
11b->Elas são suicídios? (+5 pontos)
11c->Elas são violentas, mas em câmera lenta?(+2 pontos)
11d->É do John Woo ou do tarantino? (+10 pontos)
12->Existe algum adjetivo no título em portugues? (-2 pontos)
12b->Este adjetivo é implacável, irrestível ou impossível? (-3 pontos)
13->O filme é baseado em quadrinhos? (-2 pontos)
14->O filme é baseado em livros? (-3 pontos)
15->O filme é baseado em uma peça de teatro? (+5 pontos)
16->Tem Zumbis? (-5 pontos)
17->Tem fantasmas interpretados por pessoas que voce acha que na verdade estão vivas? (+3 pontos)
18->É uma coprodução estatal?(+2 pontos)
19->Acaba bem?(-2 pontos)
20->Acaba mal (+2 pontos)
21->Não acaba (+7 pontos)
22->É um desenho?(+5 pontos)
23->Os atores são feios? (+3 pontos)
23b->Os atores são velhos? (+3 pontos)
24->Toca Bossa Nova? (+2 pontos)
25->Existe uma mala de dinheiro?(-5 pontos)
26->Existe uma mala de heroína? (+1 ponto)
27->É um ataque frontal ao sistema?(+7 ponto)
28->É um ataque frontal a alienígenas?(-5 pontos)
29->É terror? (-3 pontos)
30->É comédia? (+1 ponto)
30b->Mas faz rir? (-2 pontos)
Desta forma, podemos avaliar desde grandes clássicos até filmes que não foram feitos ainda.
Por exemplo:
A professora de piano:
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
2b->Mas é amigo do Robert Redford? (+7 pontos)
7->O país de origem é socialista? (+3 pontos)
8->O filme é muito mais longo do que devia? (+2 pontos)
9->Discute-se repressão de sexualidade? (+5 pontos)
18->É uma coprodução estatal?(+2 pontos)
20->Acaba mal (+2 pontos)
23->Os atores são feios? (+3 pontos)
23b->Os atores são velhos? (+3 pontos)
27->É um ataque frontal ao sistema?(+7 ponto)
Somando assim: -5+7+3+2+5+2+2+3+3+7 = 29
Num padrão crítico de jornal sério, atingiria 69 pontos, o suficiente para ser um bom filme. Num padrão Guia de TV, atingira 99.. ou seja, uma obra-prima.
enquanto:
Anaconda 2:
1->é uma continuação? (- 5 pontos)
2->O diretor é desconhecido? (-5 pontos)
4->A atriz principal é Loira? (-5 pontos)
5->Tem um animal como coadjuvante? (-10 pontos)
10->Discute-se munição? (-5 pontos)
11->Tem mortes? (-5 pontos)
19->Acaba bem?(-2 pontos)
29->É terror? (-3 pontos)
Somando assim: -5-5-5-10-5-5-2-3 = -40
Para o crítico=0, uma bomba. Para o guia de TV=30. Diversão razoável.
Além disso, podemos fazer projeções e guias para que se acerte no futuro.
O filme “O ruído do meu descontentamento” baseado numa peça desconhecida, feito pela tv estatal do cazaquistão, após uma revolta socialista, dirigido por um cara desconhecido, mas apresentado no Sundance, estrelando Nicole Kidman e mostrando os conflitos sobre uma dona de casa em relação a sua sexualidade, e seu consequente suícidio que choca sua cidadezinha natal, onde habitam velhos leprosos, é, sem dúvida, o melhor filme de todos os tempos.
Ao passo que “GhostBusters 5 - Macaco implacável”, que mostra uma invasão de zumbis na cidade de Nova Iorque, que só podem ser detidos por uma arma de plasma, que infelizmente foi implantada dentro de um chimpanzé brincalhão, que é resgatado no fim por Paris Hilton, é o pior filme do mundo.
Ultra
Centenas de e-mails. Aparentemente meu penis precisa ser maior, embora Kelly Christie tenha uma oferta especial para me encontrar com garotas ao vivo, mesmo assim. Se tudo mais der errado, eu posso comprar uma caixa de Valium, Xenical ou Viagra com desconto. Vou tomar tudo junto. Nada mais inspirador que um homem de pau duro e diarréia, mas que mantem sua calma.
A vida é dura para um detetive paticular.
Embora eu não seja um.
Meu grande império do mal de pirataria continua em ritmo fraco. Eu gosto da idéia de fazer o Lobão passar fome, mas eu sempro esqueço o nome das bandas que eu devo baixar. Eu devia baixar mais musicas do Lobão. Na verdade, acho que esta na hora de uma revolução. Baixe só as musicas que voce mais odeia. Espalhe a praga da fome para eliminar o pop.
Embora eu goste de pop.
Não vou por speedy. Speedy é um contratempo no que diz respeito à imersão.Seu telefone fica desocupado. Porque diabos eu vou entrar na internet se o telefone fica funcionando mesmo assim? Sem contar que o barulho do modem é o mais perto da minha visão idílica de leitor de ficção científica que eu vou chegar.
Como as pessoas podem sequer se preocupar com a velocidade da internet? A velocidade esta ótima. Na verdade voce acha lento porque voce esta com a bunda na cadeira. Se voce tivesse que pedalar cem metros para cada Kbyte, todos iríamos perceber que a velocidade esta ótima. Seriamos mais esbeltos. A procura do conhecimento seria refinada. Uma real evolução espiritual para todos.
Estamos vivendo a ditadura da bunda. Não a ditadura das bundas das dançarinas de axé, pois isso é uma demagogia intelectualóide. Na verdade, a frase demagogia intelectualóide é uma demagogia intelectualóide. Na verdade eu não lembro o que é demagogia. Eu devia perguntar para o Lobão. Ou o Ariano Suassuna. Mas divago.
Estamos vivendo a ditadura da bunda. Não a ditadura das bundas das dançarinas de axé, mas a ditadura do conforto de sua bunda. Pense. Todos os últimos implementos do aparelho social se resumem na relação bunda+conforto/tempo. Devíamos criar uma unidade de medida. Uma medida em Newtons de estresse da bunda. E depois uma outra medida que mede o desconforto da bunda por tempo. Desconforto Glúteo por hora. dg/h. Em Newtons. Na verdade eu não lembro o que são Newtons. Eu devia perguntar para o Lobão. Ou o Ariano Suassuna.
Uma vez eu fiz um café instantâneo. É só esquentar a água, pegar uma colher de uns flocos pretos, colocar na água e misturar. Voces anotaram isso? Essa é a parte importante. Misturar. Solvente e Soluto, lembra? Ficou com gosto de merda, mas a química envolvida é fascinante. Parece que a engenharia de alimentos chegou a um consenso sobre o futuro. O futuro é o seguinte. Empresas pegam as coisas e tiram a água delas. Voce compra coisas sem água, e como a enorme maioria das pessoas que tambem tem acesso a água, voce põe água nelas. Para misturar mais fácil, voce esquenta a água que vai pôr. Por enquanto são apenas alimentos. Logo mais serão livros, roupas e consolos.
O único problema é esquentar a água. Todas as medidas de tempo da indústria de alimentos são falsificadas, porque presumem que voce deve misturar com “água fervente”. Como se a água fervente fosse um tipo de água que se comprasse numa garrafa e guardasse para hidratar as coisas.
“Menino, tira a boca dai! Essa é a água fervente da mamãe fazer macarrão, não é pra beber!”
Então eu acho que precisamos dedicar esforços na comunidade científica para descobrir meios de ferver a água instantaneamente. Radiotividade e magia negra são os dois caminhos mais viáveis.
Vou ser o inventor da “água fervente de misturar instantânea”. Basta acrescentar água fervente e mexer. Vou ficar rico. Dai ninguem vai mexer comigo. Meu pênis vai crescer, minha internet vai ser rápida e Kelly Christie vai implorar para entrar em casa. Mas eu não vou deixar. Minha namorada vai descer brava e gritar pro porteiro:
-Lobão, caralho! Tira esta vagabunda da porta de casa!
-Sim senhora!
E do alto do regozijo da minha bunda confortável, vou fazer um macarrão ultra moderno e instantâneo. Mas com gosto de merda.
A vida é dura para um detetive paticular.
Embora eu não seja um.
Meu grande império do mal de pirataria continua em ritmo fraco. Eu gosto da idéia de fazer o Lobão passar fome, mas eu sempro esqueço o nome das bandas que eu devo baixar. Eu devia baixar mais musicas do Lobão. Na verdade, acho que esta na hora de uma revolução. Baixe só as musicas que voce mais odeia. Espalhe a praga da fome para eliminar o pop.
Embora eu goste de pop.
Não vou por speedy. Speedy é um contratempo no que diz respeito à imersão.Seu telefone fica desocupado. Porque diabos eu vou entrar na internet se o telefone fica funcionando mesmo assim? Sem contar que o barulho do modem é o mais perto da minha visão idílica de leitor de ficção científica que eu vou chegar.
Como as pessoas podem sequer se preocupar com a velocidade da internet? A velocidade esta ótima. Na verdade voce acha lento porque voce esta com a bunda na cadeira. Se voce tivesse que pedalar cem metros para cada Kbyte, todos iríamos perceber que a velocidade esta ótima. Seriamos mais esbeltos. A procura do conhecimento seria refinada. Uma real evolução espiritual para todos.
Estamos vivendo a ditadura da bunda. Não a ditadura das bundas das dançarinas de axé, pois isso é uma demagogia intelectualóide. Na verdade, a frase demagogia intelectualóide é uma demagogia intelectualóide. Na verdade eu não lembro o que é demagogia. Eu devia perguntar para o Lobão. Ou o Ariano Suassuna. Mas divago.
Estamos vivendo a ditadura da bunda. Não a ditadura das bundas das dançarinas de axé, mas a ditadura do conforto de sua bunda. Pense. Todos os últimos implementos do aparelho social se resumem na relação bunda+conforto/tempo. Devíamos criar uma unidade de medida. Uma medida em Newtons de estresse da bunda. E depois uma outra medida que mede o desconforto da bunda por tempo. Desconforto Glúteo por hora. dg/h. Em Newtons. Na verdade eu não lembro o que são Newtons. Eu devia perguntar para o Lobão. Ou o Ariano Suassuna.
Uma vez eu fiz um café instantâneo. É só esquentar a água, pegar uma colher de uns flocos pretos, colocar na água e misturar. Voces anotaram isso? Essa é a parte importante. Misturar. Solvente e Soluto, lembra? Ficou com gosto de merda, mas a química envolvida é fascinante. Parece que a engenharia de alimentos chegou a um consenso sobre o futuro. O futuro é o seguinte. Empresas pegam as coisas e tiram a água delas. Voce compra coisas sem água, e como a enorme maioria das pessoas que tambem tem acesso a água, voce põe água nelas. Para misturar mais fácil, voce esquenta a água que vai pôr. Por enquanto são apenas alimentos. Logo mais serão livros, roupas e consolos.
O único problema é esquentar a água. Todas as medidas de tempo da indústria de alimentos são falsificadas, porque presumem que voce deve misturar com “água fervente”. Como se a água fervente fosse um tipo de água que se comprasse numa garrafa e guardasse para hidratar as coisas.
“Menino, tira a boca dai! Essa é a água fervente da mamãe fazer macarrão, não é pra beber!”
Então eu acho que precisamos dedicar esforços na comunidade científica para descobrir meios de ferver a água instantaneamente. Radiotividade e magia negra são os dois caminhos mais viáveis.
Vou ser o inventor da “água fervente de misturar instantânea”. Basta acrescentar água fervente e mexer. Vou ficar rico. Dai ninguem vai mexer comigo. Meu pênis vai crescer, minha internet vai ser rápida e Kelly Christie vai implorar para entrar em casa. Mas eu não vou deixar. Minha namorada vai descer brava e gritar pro porteiro:
-Lobão, caralho! Tira esta vagabunda da porta de casa!
-Sim senhora!
E do alto do regozijo da minha bunda confortável, vou fazer um macarrão ultra moderno e instantâneo. Mas com gosto de merda.
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