Tuesday, March 21, 2006

São Paulo I

Num guardanapo de bar que me foi passado pelo garçom, apenas um telefone.
Chegando em casa eu ligo.
Um bipe de secretária sem maiores informações.
Eu desligo. Ligo de novo e fico quieto.
Depois de trinta e dois segundos a máquina desliga na minha cara.
Eu ligo em seguida e digo meu nome.
E saio.

No bar outro guardanapo me passado pelo garçom com outro número.
Eu ligo.
Eu deixo meu nome completo e endereço.
Eu olho o telefone por longas horas.
Nada.

E vou de bar em bar pegando outros guardanapos e encho mil secretárias eletrônicas e serviços de mensagem com meu nome, meu telefone, meu endereço, meu CEP, meu numero do certificado de reservista, titulo eleitoral, senha do cartão, agencia e conta, email, senha do e-mail, cadastro das casas bahia e no que eu penso quando estou no banheiro.

Fechado agora desligo meu telefone e jogo janela afora.
Queimo todos meu cartões e minhas cartas.
Quebro a mobília.
Escrevo meu novo nome em milhares de etiquetas que colo do chão ao teto em minha casa.
Compro um telefone novo com secretária.

Perdido e quebrado saio de novo aos bares, e invisível em meu novo eu, escolho um perdedor solitário. Escrevo meu novo número num guardanapo, aponto o infeliz e dou meu ultimo dinheiro ao garçom.

Rumo ao rio, e penso no meu apartamento, vazio, e no telefone tocando.

1 comment: