Foi me dada ao nascer uma chave mágica.
Procurei por muito tempo uma fechadura.
Testei todas as portas de todas as casas da minha família.
Procurei em bosques, procurei em pessoas, em namoradas e ídolos.
Na música, na palavra escrita, em igrejas e capelas.
Procurei no meio de multidõese na mais perfeita solidão.
Nunca achei nada que a chave abrisse.
Nem uma mísera lancheira. Nem um cadeado de armário. Nem as pernas de uma mina. Nem um caixa Itaú. Nada.
Cansado de andar com a pesada chave no pescoço decidi um dia dar o basta e engolir a dita cuja.
Explodi em 100 pombas e 100 ratos na Praça da República.
Fico aqui agora, destrancado, morto e satisfeito.
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