Monday, January 12, 2009
hidrografia
Parece que toda vez que ela chora, as lágrimas fazem o mesmo desenho na sua cara. Descem do lado dieito da bochecha, ameaçam entrar no canto da boca, escorrem pelo queixo e acabam caindo no peito. Toda vez. Esse padrão eu ja aprendi, e conforme o drama se desenrola, eu fico esperando ver se uma lágrima se rebela e acaba fazendo um caminho novo. Nada. Eu ouvi dizer que prever o trajeto da água numa superfície irregular é um desafio matemático dos mais poderosos. Chega a ser um estudo de caos, dado o enorme número de variáveis. Mas no caso dela acaba sendo a mesma merda sempre. Minha única explicação é que ela chorou tanto, mas tanto mesmo, que ela ja produziu um vale na própria pele, um leito de um rio seco, que apenas espera a época certa para virar o que realmente é.
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