Thursday, August 06, 2009
rotula
Impressionante.
Posso mover minha rótula por debaixo da minha pele. Pego a rótula, e com um esforço vou rolando ela como uma bola de gude embaixo de um pano de mesa. Dói pra caralho, sou obrigado a confessar. Mas quando ela esta na altura da coxa direita (só funciona com a rótula direita, sei la porque), ja passou a dor e voce ja acostumou com o resto da perna pendurada ali.
Dai é só ficar olhando o caroçinho da rótula esticando a pele do quadril, da barriga, embaixo do umbigo (que da uma puta aflição). nunca tive coragem de rolar ela perto do pinto.
Mas uma vez eu puxei ela pelo peito através da garganta e comecei a subir a rótula pelo pescoço. Ela comprimiu minha garganta, mas esta por fora do buraco da garganta, na massa do corpo mesmo, carne, gosma, musuculo, sei la o que completa os espaços brancos dos desenhos de 2o. grau.
Dai eu tava com esse caroço no meio da cara, na bochecha. Foi engraçado pracaralho. Tipo homem elefante. Dai eu puxava para sobrancelha e tampava a outra metade da cara e ficava brincando de frankenstein.
Tive que sair do banheiro, ja tava ficando estranho em casa. Desci a rótula de novo até o joelho e tudo voltou ao normal.
Posso mover minha rótula por debaixo da minha pele. Pego a rótula, e com um esforço vou rolando ela como uma bola de gude embaixo de um pano de mesa. Dói pra caralho, sou obrigado a confessar. Mas quando ela esta na altura da coxa direita (só funciona com a rótula direita, sei la porque), ja passou a dor e voce ja acostumou com o resto da perna pendurada ali.
Dai é só ficar olhando o caroçinho da rótula esticando a pele do quadril, da barriga, embaixo do umbigo (que da uma puta aflição). nunca tive coragem de rolar ela perto do pinto.
Mas uma vez eu puxei ela pelo peito através da garganta e comecei a subir a rótula pelo pescoço. Ela comprimiu minha garganta, mas esta por fora do buraco da garganta, na massa do corpo mesmo, carne, gosma, musuculo, sei la o que completa os espaços brancos dos desenhos de 2o. grau.
Dai eu tava com esse caroço no meio da cara, na bochecha. Foi engraçado pracaralho. Tipo homem elefante. Dai eu puxava para sobrancelha e tampava a outra metade da cara e ficava brincando de frankenstein.
Tive que sair do banheiro, ja tava ficando estranho em casa. Desci a rótula de novo até o joelho e tudo voltou ao normal.
V
Olha lá! Lá vem o cara que vai repetir as mesmas mentiras que me contam desde o princípio dos tempos.
Ele vem vestido da forma certa e com uma fala ensaiada e todos os sorrisos que o dinheiro pode comprar.
Ele vem vestido da forma certa e com uma fala ensaiada e todos os sorrisos que o dinheiro pode comprar.
pique
Temos um medo danado do futuro. Ando notando que com meu destino eu jogo um jogo de esconde-esconde doentio; eu fecho os olhos, conto até onde minha paciência aguenta e saio em uma procura desvairada nos mais diversos e imprevisíveis lugares.
Eu vejo sua sombra atrás de um armário velho, eu vejo a silhueta no muro da casa, eu chego a passar a mão em cima de sua sombra projetada na mesa do café. E não ganho. Um instante antes de alcançá-lo e finalmente ganhar essa rodada, eu me vejo voltando correndo para o pique e fechando os olhos de novo.
Esperando meu futuro se esconder, até que eu esteja seguro de que terei que voltar a procurá-lo, mas que não exista chance nenhuma de eu conseguir agarrá-lo.
Eu vejo sua sombra atrás de um armário velho, eu vejo a silhueta no muro da casa, eu chego a passar a mão em cima de sua sombra projetada na mesa do café. E não ganho. Um instante antes de alcançá-lo e finalmente ganhar essa rodada, eu me vejo voltando correndo para o pique e fechando os olhos de novo.
Esperando meu futuro se esconder, até que eu esteja seguro de que terei que voltar a procurá-lo, mas que não exista chance nenhuma de eu conseguir agarrá-lo.
Monday, March 09, 2009
tempo 2 - a punheta
O tempo anda para frente. Eu fico parado.
A vida é feita em cima de um trilho. Você dirige, mas não dirige assim como que guiando um cavalo num campo aberto. Você dirige como um maquinista de trem. Uma direção. Acelera e brequa, e nada muito brusco, e reza para não atropelar nada. Reza pros trilhos segurarem firme para a merda toda não descarrilar.
O destino é como uma salvaguarda da criação. Um guia invisível e um juiz. O aparente acaso que vivemos limita o impensável do que poderíamos nos tornar e sendo assim define nossa falta de controle e nos torna animais, não deuses.
O tempo anda, e minhas presas são afiadas, assim é meu relógio, e com cada passo que deixo de dar aumenta a minha comunhão com o tempo.
Deixem o tempo andar por si; andar com ele é marchar com um arco e flecha ao lado de um missil nuclear: risível.
"Mas eu tomo as minhas decisões!" Claro que toma... claro que toma....
A vida é feita em cima de um trilho. Você dirige, mas não dirige assim como que guiando um cavalo num campo aberto. Você dirige como um maquinista de trem. Uma direção. Acelera e brequa, e nada muito brusco, e reza para não atropelar nada. Reza pros trilhos segurarem firme para a merda toda não descarrilar.
O destino é como uma salvaguarda da criação. Um guia invisível e um juiz. O aparente acaso que vivemos limita o impensável do que poderíamos nos tornar e sendo assim define nossa falta de controle e nos torna animais, não deuses.
O tempo anda, e minhas presas são afiadas, assim é meu relógio, e com cada passo que deixo de dar aumenta a minha comunhão com o tempo.
Deixem o tempo andar por si; andar com ele é marchar com um arco e flecha ao lado de um missil nuclear: risível.
"Mas eu tomo as minhas decisões!" Claro que toma... claro que toma....
Friday, February 27, 2009
Cena 32 - Dentro do Moinho Abandonado
-Vamos, entra! Esta tudo bem, pode entrar aqui.. esta escuro mas o chão esta seco.
-Não tenho medo do escuro, e tambem não tenho medo de chão molhado! Tenho medo das pessoas com as facas e as tochas!
-Por isso mesmo, Mila querida! Aqui não tem ninguém. É seguro para nós. Passamos a noite aqui e de manhã vamos para o mato grosso.
-A é... E como vamos até a porra do Mato Grosso sem carro e sem dinheiro? Senhor "ex contador de imobiliária / genio da fuga"?
-Vamos de carona... sei la.. roubamos um carro..
-Roubar um carro!? Voce ta louco?!
-Alguma idéia melhor? hein? talvez voce possa dar prum caminhoneiro que te leve la! Ja que sua grande bunda nos colocou nessa furada, podia ser ela a nos tirar tambem!
-Cala a boca! Cala a boca e esquece disso... que merda....
-Desculpa amor... eu não queria...
-Shhh
-Ja pedi desculpa...
-SSSHHHH! calaboca Osvaldo... cala a boca e escuta.
-Que que é isso?
-Acho que são cavalos. Fecha a porra da porta.
-To tentando
-Fecha Osvaldo
-ta emperrada... a merd...
-FECHA LOGO
-cala a boca sua vadia!!!
-Ótimo. Vou morrer linchada por um monte de caipiras em cima de cavalos!!! simplesmente ótimo... meu noivo me chama de vadia e eu vou morrer numa merda de um moinho que cheira rato...genial...
-.........foi... fechei. a. porra. da. sua. porta.
-Sera que eles ouviram?
-Acho que não... acho que ta diminuindo o barulho
-Sei la.. para mim parece igual... parece um monte deles... tem uns cinquenta caras la fora Osvaldo!
-Shh calma, deve ser menos... eles estão indo, eles estão indo, escuta! escuta!
-Será?
-Ouve... eles seguiram a estrada! Eu disse que esse bando de imbecil ia seguir a estrada! Eles acham que não íamos ter coragem de quebrar para a mata! Eu disse!
-Eu to cansada Osvaldo...
-Relaxe.. hoje a noite é por aqui...
-Que beleza hein, vou tentar achar um lugar nessa merd....AAAAH ...
-Nina! Que foi? Voce ta bem?!?!
-Acho que sentei num rato.
-.... Puta merda Mila, não grita assim.
-Desculpa, mas eu assustei...
-Fica quieta e tenta relaxar...vamos precisar das energias amanhã.
-Osvaldo.. sera que não da para esperar em outro lugar...
-Na boa, não. Ja demos muita sorte por um dia.E ponto.
-bem...eu acho que matei o rato.
-Bem... de tudo que você ja matou hoje, acho que um rato é o de menos.
-Cala a boca, Osvaldo.
-Não tenho medo do escuro, e tambem não tenho medo de chão molhado! Tenho medo das pessoas com as facas e as tochas!
-Por isso mesmo, Mila querida! Aqui não tem ninguém. É seguro para nós. Passamos a noite aqui e de manhã vamos para o mato grosso.
-A é... E como vamos até a porra do Mato Grosso sem carro e sem dinheiro? Senhor "ex contador de imobiliária / genio da fuga"?
-Vamos de carona... sei la.. roubamos um carro..
-Roubar um carro!? Voce ta louco?!
-Alguma idéia melhor? hein? talvez voce possa dar prum caminhoneiro que te leve la! Ja que sua grande bunda nos colocou nessa furada, podia ser ela a nos tirar tambem!
-Cala a boca! Cala a boca e esquece disso... que merda....
-Desculpa amor... eu não queria...
-Shhh
-Ja pedi desculpa...
-SSSHHHH! calaboca Osvaldo... cala a boca e escuta.
-Que que é isso?
-Acho que são cavalos. Fecha a porra da porta.
-To tentando
-Fecha Osvaldo
-ta emperrada... a merd...
-FECHA LOGO
-cala a boca sua vadia!!!
-Ótimo. Vou morrer linchada por um monte de caipiras em cima de cavalos!!! simplesmente ótimo... meu noivo me chama de vadia e eu vou morrer numa merda de um moinho que cheira rato...genial...
-.........foi... fechei. a. porra. da. sua. porta.
-Sera que eles ouviram?
-Acho que não... acho que ta diminuindo o barulho
-Sei la.. para mim parece igual... parece um monte deles... tem uns cinquenta caras la fora Osvaldo!
-Shh calma, deve ser menos... eles estão indo, eles estão indo, escuta! escuta!
-Será?
-Ouve... eles seguiram a estrada! Eu disse que esse bando de imbecil ia seguir a estrada! Eles acham que não íamos ter coragem de quebrar para a mata! Eu disse!
-Eu to cansada Osvaldo...
-Relaxe.. hoje a noite é por aqui...
-Que beleza hein, vou tentar achar um lugar nessa merd....AAAAH ...
-Nina! Que foi? Voce ta bem?!?!
-Acho que sentei num rato.
-.... Puta merda Mila, não grita assim.
-Desculpa, mas eu assustei...
-Fica quieta e tenta relaxar...vamos precisar das energias amanhã.
-Osvaldo.. sera que não da para esperar em outro lugar...
-Na boa, não. Ja demos muita sorte por um dia.E ponto.
-bem...eu acho que matei o rato.
-Bem... de tudo que você ja matou hoje, acho que um rato é o de menos.
-Cala a boca, Osvaldo.
ddp
Assim como a eletricidade, a ação depende de uma tensão que extrapola um limiar.
Ofereço uma prece a todo que mataram e amaram, mas não o suficiente para transformar a vontade em ação.
Ofereço uma prece a todo que mataram e amaram, mas não o suficiente para transformar a vontade em ação.
Monday, January 12, 2009
hmmm
Entre vegetarianos, freiras, budistas new wave, veganos mudernetes nissim lamen, universitárias maconheiras socialistas e a porra do Bono Vox, meu voto vai para um pescador do Pantanal, que perguntado como que ele criou um prato com entranhas de jacaré respondeu : "Ja matei. né? Agora tem que comer tudo."
A maldade não esta no assassinato, está no desperdício.
A maldade não esta no assassinato, está no desperdício.
hidrografia
Parece que toda vez que ela chora, as lágrimas fazem o mesmo desenho na sua cara. Descem do lado dieito da bochecha, ameaçam entrar no canto da boca, escorrem pelo queixo e acabam caindo no peito. Toda vez. Esse padrão eu ja aprendi, e conforme o drama se desenrola, eu fico esperando ver se uma lágrima se rebela e acaba fazendo um caminho novo. Nada. Eu ouvi dizer que prever o trajeto da água numa superfície irregular é um desafio matemático dos mais poderosos. Chega a ser um estudo de caos, dado o enorme número de variáveis. Mas no caso dela acaba sendo a mesma merda sempre. Minha única explicação é que ela chorou tanto, mas tanto mesmo, que ela ja produziu um vale na própria pele, um leito de um rio seco, que apenas espera a época certa para virar o que realmente é.
HOMENAGEM
THE TYGER (from Songs Of Experience)
William Blake
Tyger! Tyger! burning brightIn the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare sieze the fire?
And what shoulder, & what art.
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? & what dread feet?
What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
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foda. Muito foda.
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