Thursday, November 22, 2007

Alternativas Viáveis à Felicidade

As pessoas têm uma profundidade infinita, que vai além da nossa capacidade de compreender, mesurar e controlar. O mundo responde com uma outra infinita quantidade de estímulos e situações. Temos milhares de anos de história. Somos produtos de uma série de vetores anônimos, químicos, físicos e espirituais.

Simplificando a punheta: O mundo é complicado.

Por isso sou contra qualquer forma de totalitarismo, dogma imutável ou certeza absoluta.

E não estou sozinho... Qualquer pessoa que valha seu peso em carbono, e tenha um QI maior que da samambaia da sala da minha mãe, sabe que a maioria dos símbolos de status que nos acompanham é desprovida de significado por si. Se não existe dúvida na cabeça do marmanjo que dinheiro é igual à felicidade, todas as pessoas de bem esperam que ele venha perceber, no leito de morte, que na verdade a família é o que vale. E se o imbecil faz tudo pela família, Shakespeare já respondeu que o que vale é o amor. E por ai vamos embora...


O que me leva finalmente ao ponto deste post.

Um aviso honesto ao mais moderno, atual e perigoso dos símbolos de status: a felicidade.

Eu quero ser escultor de cerâmica em Istambul”, “tudo bem! desde que isso te faça feliz!”.

Pai.. eu vi o clipe do 50cent, e descobri que meu lance é prostituição de luxo!”, “Nossa filha.. que estranho! Mas se você acha que isso vai te deixar feliz...”

Pedrinho deu um tiro na cabeça!!”, “Quem sabe agora ele esta feliz...”

A publicidade e a filosofia rasteira garantem a promulgação desta praga liberal. Uma praga que destrói o senso de obrigação e dilui a amplitude da situação humana a seu mínimo denominador comum: a mediocridade da subsistência.

Afasta a necessidade de diálogo e aumenta o poder do monólogo. Uma pessoa pode ser uma cega idiota fanática e passar ilesa pelo senso crítico, desde que se mostre contente com sua idiotice.

A felicidade desqualifica a briga. O desafio. A missão. A idéia. A ganância.

Qualquer força motora que te leva para frente é alimentada por um senso de insatisfação. Então caminhar não é se contentar. Caminhar é com perninha doendo e dedinho sangrando e tênis rasgado. Fedendo.

Então abaixo a felicidade.
Vamos nos concentrar no caminho da realização, do correto, do espetacular, do memorável.

2 comments:

Danylo said...

Concordo! Acho que o que se vende como felicidade hoje pelas mídias é que está errado.
Como princípio digo.
Ser feliz, ao contrário do que se vende na Propaganda (com p maiúsculo notaram?) não é satisfazer os desejos primitivos de convivência, descanso, conforto, sexo e alimento.
O que é felicidade?
Vá buscar a sua!

PS: Parebéns Burns, levantaste uma bela bola, keep walking...

Anonymous said...

Concordo plenamente e acho interessante o fato de que já se fazem medicamentos para o sujeito ficar feliz... Portanto existe a droga que faz com que as pessoas aceitem seu papel nessa confusão toda... se um dia colocarem prozac no lugar do flúor na água quem sabe as pessoas notem que na vida precisamos de propósitos, não é? Abraços saudosos.