As pessoas têm uma profundidade infinita, que vai além da nossa capacidade de compreender, mesurar e controlar. O mundo responde com uma outra infinita quantidade de estímulos e situações. Temos milhares de anos de história. Somos produtos de uma série de vetores anônimos, químicos, físicos e espirituais.
Simplificando a punheta: O mundo é complicado.
Por isso sou contra qualquer forma de totalitarismo, dogma imutável ou certeza absoluta.
E não estou sozinho... Qualquer pessoa que valha seu peso em carbono, e tenha um QI maior que da samambaia da sala da minha mãe, sabe que a maioria dos símbolos de status que nos acompanham é desprovida de significado por si. Se não existe dúvida na cabeça do marmanjo que dinheiro é igual à felicidade, todas as pessoas de bem esperam que ele venha perceber, no leito de morte, que na verdade a família é o que vale. E se o imbecil faz tudo pela família, Shakespeare já respondeu que o que vale é o amor. E por ai vamos embora...
O que me leva finalmente ao ponto deste post.
Um aviso honesto ao mais moderno, atual e perigoso dos símbolos de status: a felicidade.
“Eu quero ser escultor de cerâmica em Istambul”, “tudo bem! desde que isso te faça feliz!”.
“Pai.. eu vi o clipe do 50cent, e descobri que meu lance é prostituição de luxo!”, “Nossa filha.. que estranho! Mas se você acha que isso vai te deixar feliz...”
“Pedrinho deu um tiro na cabeça!!”, “Quem sabe agora ele esta feliz...”
A publicidade e a filosofia rasteira garantem a promulgação desta praga liberal. Uma praga que destrói o senso de obrigação e dilui a amplitude da situação humana a seu mínimo denominador comum: a mediocridade da subsistência.
Afasta a necessidade de diálogo e aumenta o poder do monólogo. Uma pessoa pode ser uma cega idiota fanática e passar ilesa pelo senso crítico, desde que se mostre contente com sua idiotice.
A felicidade desqualifica a briga. O desafio. A missão. A idéia. A ganância.
Qualquer força motora que te leva para frente é alimentada por um senso de insatisfação. Então caminhar não é se contentar. Caminhar é com perninha doendo e dedinho sangrando e tênis rasgado. Fedendo.
Então abaixo a felicidade.
Vamos nos concentrar no caminho da realização, do correto, do espetacular, do memorável.