Tuesday, May 30, 2006

WishList

Eu quero o tempo todo que eu gastei vendo filmes de volta.
Eu quero pegar o publicitário que me garantiu que eu ia ser feliz e mijar no pescoço decepado dele.
Eu quero ver fotos do enterro de todas as supermodelos.
Eu não quero saber o tamanho do pinto do Bruce Willis.
Eu nãp quero saber o gosto do peito da Ana Paula Arósio.
Eu quero uma vida só minha e de quem eu conheço.
Eu tenho medo desses sonhos embutidos, contra minha vontade, que me pertubam o sono.
Eu quero existir desprovido de expectativa.
Quero sonhar com goiabas e não com sucesso.
Um almoço quente que cheire à comida.
Perceber que mereço tudo que tenho, e tenho muito.
E o que não tenho talvez não precise.
Que a vida é móvel.
Que a alternativa é viável.
Que a rota é alternativa.
Que caixão não tem gaveta, não tem armário, não tem porta-retrato.
Que essa vida é nossa, e que o mundo é uma noção de tempo.

E que o tempo é agora.

Bons sonhos.
Que sejam os seus.

Friday, May 12, 2006

Aew!

Nasceu um pé de feijão gigante no meu quintal!
Ele é do calibre de um boi, e cada folha serve perfeitamente como o degrau de uma escada leguminosa rumo ao céu. Estou levando uma mochila, um canivete, uma identidade falsa e a bombinha de asma.

Vou subir la hoje a noite, depois eu escrevo como que foi.
Eu fiz uma máquina que me permite parar o tempo. Enquanto as pessoas e as leis da física se encontram congeladas eu perambulo pela cidade. Eu posso estar ai nesse instante, do seu lado, e você nunca ia ficar sabendo. Eu mexo em corrependência, vejo as fotos, aperto a bunda da sua mina e mijo no feijão.
Mas ja perdeu a graça. Vou vender no mercadolivre, ou trocar por um aquário.

Friday, May 05, 2006

Tinha um guarda chuva quebrado rolando na sarjeta um dia desses. Descendo a Teodoro, em frente à padaria. O guarda-chuva ia descendo com a enxurrada, e eu fumando em baixo do toldinho. A chuva ja tinha enfraquecido, mas a enxurrada era monstruosa. O guarda-chuva atravessou o cruzamento da capote e parou na frente da loja de feragens, provocando um turbilhão de água em cima da calçada, molhando o sapato de uma senhora que ficou puta. Ela devia ter uns sessenta anos, e andava devagar, tentando esconder a bolsa da chuva. E ficou puta de verdade. Andou até a enxurrada, molhando as pernas e as meias, olhando pro guarda-chuva que nem um cão de guarda preso por muito tempo, abaixou, com certa dificuldade e desajeitada, pegou o guarda-chuva quebrado e jogou no meio da rua. Jogou com raiva, jogou sem ver nada, quase num ônibus que tava descendo. Ela virou e voltou pelo caminho que estava vindo. Deu a impressão que ela tinha saído de casa só para jogar o guarda-chuva longe.